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TOP 10: MAIORES INTERFERÊNCIAS DE ESTÚDIO DA DÉCADA

Quando o caos dos bastidores afeta o produto final.

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Intervenções de estúdio sempre existiram. Afinal, o sucesso ou fracasso de um filme em particular pode levar um estúdio à ruína ou à glória. A Ilha da Garganta Cortada, um dos maiores fracassos de bilheteria da história, levou a Carolco Films à falência e O Portal do Paraíso – além de quase arruinar a carreira do diretor Michael Cimino – pôs fim a United Artists. Nos dias de hoje, com blockbusters saindo com mais frequência, essas apostas são ainda mais arriscadas e tem causado um envolvimento cada vez maior do estúdio no desenvolvimento de um filme.

Vamos analisar aqui dez casos de filmes cuja versão final acabou sendo severamente influenciada pela decisão de executivos. Mas como esses casos têm se mostrado cada vez mais frequentes, decidi analisar apenas produções lançadas nos últimos dez anos. Infelizmente, casos famosos como Eu Sou a Lenda e Homem-Aranha 3 vão ter que esperar uma outra lista. Até onde as decisões de um estúdio podem ajudar ou prejudicar um filme? Vamos conferir:

Esquadrão Suicida

Com Batman Vs Superman e Esquadrão Suicida programados para 2016, parecia que a Warner estava pronta para transformar a DC em uma rival de respeito da Marvel Studios. No entanto, com a resposta decepcionante dos críticos e público ao tão sonhado encontro entre o Homem de Aço e o Homem-Morcego, todos os olhos imediatamente se voltavam para o filme seguinte: Esquadrão Suicida. A campanha de marketing do filme foi um enorme sucesso e personagens como Arlequina e Coringa já causavam frisson entre cosplayers antes mesmo da estreia. Só havia um problema. Segundo relatos, o tom real do filme era oposto ao dos trailers que o público tanto adorou, e tendo em vista que o tom excessivamente sombrio foi alvo de crítica em Batman Vs Superman, os executivos da Warner entraram em pânico. Refilmagens foram feitas poucos meses antes da estreia e o estúdio contratou a Trailer Park, empresa especializada em trailers, para fazer um corte do filme. Quando essa versão e a versão do diretor David Ayer foram mostradas em exibições-teste, os produtores acharam melhor combinar os dois cortes para criar a versão que seria lançada nos cinemas. E mais uma vez, críticos e público não se mostraram muito satisfeitos com o universo DC.

X-Men Origens: Wolverine

A Fox nunca imaginaria que um dia os universos cinematográficos seriam a nova onda de Hollywood. Por isso, quando a saga X-Men teve início no cinema, ela foi pensada apenas como uma trilogia. Mas com o surgimento de Homem de Ferro e o nascimento do universo Marvel, o estúdio resolveu voltar a apostar nos mutantes com uma série de filmes solos que abordariam as origens de alguns dos personagens favoritos da franquia. O primeiro da lista foi o queridinho do público, Wolverine, com Hugh Jackman novamente no papel. À princípio, o filme teria um tom bem mais sombrio e acompanharia Wolverine em seu histórico militar. No entanto, o longa foi alvo de rixas entre o diretor Gavin Hood e o produtor Tom Rothman, que não era muito fã de filmes de super-heróis. Há histórias de que Rothman teria até mesmo alterado a cor de alguns sets do filme sem o conhecimento do diretor. Dentre todas as mudanças feitas pelo estúdio, a mais controversa de todas pode ser resumida em uma palavra: Deadpool. Para evitar que Wolverine fosse ofuscado, o mercenário tagarela teve sua boca costurada e ganhou novos poderes que o transformaram em algo completamente novo… para o desgosto de Ryan Reynolds e dos fãs. O resultado foi um filme tão massacrado por críticos e público que a ideia de outros filmes da saga X-Men Origens foram cancelados.

Liga da Justiça

A tormenta que teve início na Warner com a recepção mista de Batman Vs Superman acabou gerando um efeito borboleta que afetou os filmes seguintes do universo DC. Enquanto Esquadrão Suicida teve que lidar com mudanças durante as filmagens, não houve muito tempo para que a Warner pudesse fazer mudanças em Liga da Justiça, que começou a ser filmado um mês após o lançamento de Batman Vs Superman. Zack Snyder foi mantido na direção, concluiu as filmagens e montou um corte do filme, que foi apresentado à Warner. Porém, o estúdio não se mostrou satisfeito com o resultado. Após o suicídio da filha de Snyder, o estúdio supostamente teria usado o ocorrido para dispensar o diretor. Em seu lugar, foi trazido o diretor e roteirista de Os Vingadores, Joss Whedon, que reescreveu parte do roteiro e teve que fazer três meses de refilmagens. Além dos tons conflitantes de Snyder e Whedon em um só filme, o estúdio não permitiu que a estreia fosse reagendada, fazendo com que os efeitos visuais fossem terminados às pressas. O resultado ficou bem aparente, principalmente na boca do pobre Henry Cavill. A pressa da Warner acabou não compensando e Liga da Justiça obteve a pior bilheteria do universo cinematográfico DC.

O Espetacular Homem-Aranha 2

Você aprende com seus erros, não é? Não parece ser o caso da Sony. Depois de forçar três vilões e diversas subtramas em Homem-Aranha 3 (sem falar no Emo-Aranha) o estúdio não só repetiu esses problemas com o reboot do herói, como os tornou piores. Com a ascensão do universo cinematográfico Marvel e a DC pondo em prática seus planos para criar seu próprio universo, a Sony decidiu entrar na onda e capitalizar em um universo de filmes dos personagens ao redor do Homem-Aranha. Como consequência, O Espetacular Homem-Aranha 2 quase destruiu a reputação do herói nas telonas. Além de (mais uma vez) usar vilões e subtramas demais, o estúdio insistiu que o longa estabelecesse pontos que levariam a filmes derivados, mesmo que esses pontos não tivessem relevância para o filme em si. Felicia Hardy – a Gata Negra – foi apresentada de forma desleixada, o Sexteto Sinistro foi pré-estabelecido (mais ou menos), um novo Duende Verde foi apresentado às pressas e os pais de Peter Parker ganharam um passado misterioso que não agregou em nada. O próprio Andrew Garfield, intérprete do Homem-Aranha, veio a público falar que o roteiro original foi despedaçado pela Sony durante a produção do longa. Garfield e o diretor Marc Webb deixaram a franquia no mesmo ano e a Sony se viu forçada a unir forças com a Marvel Studios para manter o Aranha vivo nas telas.

Quarteto Fantástico

Esse caso é tão fascinante que um filme sobre os bastidores seria mais interessante que o filme em si. O diretor Josh Trank ainda era pouco experiente, mas vinha do elogiado Poder Sem Limites, e muitos viam sua inclusão no projeto como algo que poderia trazer uma visão única à primeira família da Marvel. No entanto, assim que foi contratado, Trank começou a ter problemas com o estúdio, que cortou cenas de ação, diminuiu o orçamento do filme e forçou a escalação de alguns atores, como Kate Mara como Sue Storm. Muitos relatos começaram a surgir de que Trank começou a apresentar um comportamento errático no set, chegando a bater de frente com o ator Miles Teller (Reed Richards), que ele próprio lutou para trazer ao filme. Quando o primeiro corte foi montado, o estúdio se preocupou que o longa mais parecia um Poder Sem Limites 2 do que um novo Quarteto Fantástico. O resultado foi que parte do filme foi reescrito e refilmado e Trank foi afastado da direção, com alguns apontando o roteirista Simon Kinberg como o responsável pelo novo terceiro ato. O resultado final foi um dos piores filmes do ano… e do gênero.

Rogue One – Uma História Star Wars

Eis um caso raro em que a interferência do estúdio pode ter melhorado o produto final. Depois de concluídas as filmagens principais de Rogue One, um corte inicial do filme foi apresentado ao estúdio, que não se mostrou satisfeito. Com a estreia marcada para dezembro, a Disney encomendou refilmagens de emergência em maio, e no processo, trouxe o diretor e roteirista Tony Gilroy para criar material novo para o longa. O editor John Gilroy (Esquadrão Suicida) juntou-se à equipe e a história foi “reconceitualizada”, trazendo cenas que exploravam mais personagens como Cassian Andor (Diego Luna) e Bodhi Rook (Riz Ahmed). A introdução de Cassian e a fuga de Jyn do transportador imperial em Wobani foram cenas que vieram desse processo. O final do longa teria sido diminuído para ajudar no ritmo do filme. Segundo Gilroy, o número de personagens e locações significava que os editores tinham que equilibrar ainda mais a ação e o desenvolvimento de personagens. Mas com certeza, uma das adições mais bem-vindas dessas refilmagens foi a famosa cena do corredor com Darth Vader, um dos pontos altos do filme e um final de fazer cair o queixo de qualquer fã.

O Homem da Máfia

Depois de uma bem-sucedida parceria em O Assassinato de Jesse James, do Covarde Robert Ford, um novo filme com Brad Pitt e o diretor Andrew Dominik parecia uma aposta certa. Mas o thriller noir O Homem da Máfia não foi tão bem recebido quanto o longa antecessor da dupla. Originalmente, o filme tinha mais de duas horas e meia de duração, mas o estúdio exigiu que Dominik cortasse cerca de uma hora de filme. No fim das contas, críticos ficaram insatisfeitos com O Homem da Máfia, afirmando que muitos pontos do longa foram mal desenvolvidos. Compreensível, já que uma hora de trama foi retirada. O público também não perdoou e o filme foi um fracasso nas bilheterias.

Robocop (2014)

Com José Padilha (Tropa de Elite/Narcos) na direção, que já se mostrou mais do que capaz de explorar o gênero policial, parecia que o reboot de RoboCop estaria em boas mãos. A produção, no entanto, foi problemática, já que o estúdio estava constantemente envolvido em cada detalhe do filme. Isso porque, no início, a MGM decidiu que em vez de ter a classificação para maiores como o filme original, o reboot teria como objetivo a classificação PG-13, a fim de garantir a maximização da receita das bilheterias. Isto significou que muito da violência e os temas mais sombrios tiveram que ser removidos. O acompanhamento atento dos produtores e o fato de que o diretor José Padilha não teve permissão para introduzir quase nenhuma de suas próprias idéias resultou em um filme esquecível que decepcionou nas bilheterias.

Boneco de Neve

O caso mais recente da lista tinha tudo para dar certo, mas acabou marcado como um dos piores filmes de 2017. Além de trazer Tomas Alfredson (O Espião que Sabia Demais) na direção, o elenco contava com Michael Fassbender, Rebecca Ferguson e J.K. Simmons. Uma equipe dos sonhos, não é? Pois o pesadelo começou quando o estúdio não deu tempo suficiente para as filmagens, e como resultado, 10 a 15% do roteiro acabou não sendo filmado. Martin Scorsese, que entrou como produtor, trouxe a editora vencedora do Oscar – e sua colaboradora de longa data – Thelma Schoonmaker para tentar “consertar” o longa na pós-produção. No entanto, com parte da história faltando, fica difícil até mesmo para uma profissional como Schoonmaker criar um filme com uma história coerente. E a cereja em cima do bolo foi a própria campanha de marketing do longa, que apostou em pôsteres com um desenho pitoresco de um boneco de neve para promover as “sinistras” mensagens de seu serial killer. Essa foi a imagem que gerou mil memes em 2017.

Solo – Uma História Star Wars

Mais uma vez, os derivados da saga Star Wars retornam à nossa lista, no entanto, esse não teve um final tão bem-sucedido quanto Rogue One. Tentando trazer novas abordagens à franquia, a Lucasfilm contratou a dupla Chris Miller e Phil Lord, mais conhecida por seu trabalho com comédia, para dirigir o longa. O estúdio começou a entrar em pânico quando perceberam que a falta de experiência dos diretores em grandes produções estava atrasando o cronograma e aumentando os custos. Chegando na reta final das filmagens, o estúdio demitiu Miller e Lord e chamou Ron Howard para terminar o longa. Parte do roteiro foi reescrito, alguns personagens foram cortados e outros acrescentados, levando à mais alguns meses de refilmagens. No final, Solo acabou se tornando o filme mais caro da história da franquia, saindo pela bagatela de US$ 275 milhões. O longa acabou conquistando bons 72% de aprovação no Rotten Tomatoes, no entanto, o público pareceu não se importar muito com esse derivado, que faturou menos de US$ 400 milhões em todo o mundo de se tornou a primeira bomba da franquia.

Que outros filmes você acrescentaria à lista? Deixe nos comentários.

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