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A LAVANDERIA – CRÍTICA

Longa da Netflix baseado em fatos tem narrativa descontraída e grande elenco.

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O insaciável diretor Steven Soderbergh, que não raro lança mais de um longa-metragem por ano, tem em A Lavanderia seu segundo trabalho em parceria com a Netflix – sendo o primeiro, o drama esportivo High Flying Bird, também lançado em 2019. Baseado em fatos, a trama retrata de maneira descontraída a gigantesca rede de corrupção envolvendo empresas de paraísos fiscais offshore, revelada por uma fonte anônima em 2015 no maior vazamento de documentos da história.

Conhecido como “The Panama Papers”, o escândalo de nível global já foi relatado no documentário de mesmo nome e, com mais detalhes, no livro Secrecy World, de Jake Bernstein, que serviu de base para o roteiro de Scott Z. Burns. O diretor e o roteirista, parceiros de outros projetos, optam por uma abordagem mais palatável ao espectador, visto a complexidade do evento e a especificidade do assunto, que poderiam tornar o enredo pouco atrativo ao grande público se tratado de maneira convencional. Dessa forma, a narrativa, além de extremamente didática, é bem humorada e com tom sarcástico, muito semelhante ao longa A Grande Aposta, de Adam McKay.

Outro grande atrativo para o espectador é o talentoso elenco. Além do trio protagonista formado por Gary Oldman, Antonio Bandeiras e Meryl Streep, a obra ainda conta com pequenas participações de rostos conhecidos do cinema e da televisão como James Cromwell, Jeffrey Wright, Sharon Stone, David Schwimmer, Melissa Rauch, Will Forte, entre outros. Oldman e Bandeiras se divertem nas peles de Jürgen Mossack e Ramón Fonseca, diretores do escritório de advocacia responsável por grande parte das empresas fraudulentas, que também narram o enredo quebrando a quarta parede.

Streep demonstra mais uma vez sua já reconhecida versatilidade interpretando duas personagens: Ellen, uma senhora que, por uma desventura, se vê prejudicada no emaranhado corporativo; e Elena, uma funcionária do escritório Mossack Fonseca. Apesar da maquiagem pesada neste segundo caso, a atriz chama atenção para sua performance, modificando completamente o tom de voz, o sotaque e a linguagem corporal da personagem em relação à primeira.

Outra ferramenta narrativa que Burns utiliza para amenizar a densidade do enredo e manter o interesse do espectador é contar a história pelas beiradas. O roteirista pincela pequenos casos de pessoas que de alguma forma foram afetadas pelo grande esquema de corrupção, dando um nível de concretude para algo que soa abstrato por meio de situações mais relacionáveis.

Soderbergh também brilha em alguns momentos, principalmente nos planos-sequência inicial e final. O controle sobre a mise-èn-scene demonstra a habilidade do diretor, que aproveita a abordagem pouco convencional e de comunicação direta com o espectador para brincar com elementos de linguagem cinematográfica, culminando em uma cena final de certa maneira catártica para os atores envolvidos, principalmente Meryl Streep. Embora não seja novidade, é uma maneira curiosa e divertida de apresentar uma história complexa para um veículo de exibição tão popular.

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