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THE POST: A GUERRA SECRETA – CRÍTICA

Thriller jornalístico baseado em fatos tem grande potencial, mas resultado é mediano.

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Steven Spielberg já pode ser considerado um diretor lendário. Sua filmografia é invejável, principalmente entre meados dos anos 70 e o final dos anos 90, influenciando gerações de novos cineastas. Suas obras mais memoráveis são de caráter aventureiro e/ou juvenil, mas o diretor também demonstra muito interesse em fatos históricos, como em O Resgate do Soldado Ryan, A Lista de Schindler, Lincoln, entre outros. Todos eles renderam múltiplas indicações ao Oscar, como também é o caso do mais recente The Post – A Guerra Secreta.

Em 1971, uma série de documentos secretos do governo americano sobre a Guerra do Vietnã foi divulgada a público por diversos veículos da imprensa escrita, gerando revolta na população e culminando no infame caso Watergate no ano seguinte. O longa foca no jornal The Washington Post, cuja diretora Kay Graham (Meryl Streep) tem que tomar a difícil decisão de publicar tais informações contra a vontade do presidente Richard Nixon, arriscando toda sua vida profissional, enquanto o editor-chefe Ben Bradlee (Tom Hanks), insiste na publicação, que traria notoriedade para o jornal e para sua carreira.

Spielberg conduz a história no piloto automático. O diretor, conhecido por sua desenvoltura e criatividade, aqui se mantém passivo à narrativa, semelhante a como ficou em Lincoln, mas um pouco menos preguiçoso. Quem carrega mesmo o filme é a dupla de protagonistas, Streep e Hanks, que demonstram muita facilidade em interpretar seus respectivos papéis. Embora seja um deleite ver dois gigantes da atuação trabalhando juntos pela primeira vez, nenhum deles apresenta nada de novo em relação a seus outros trabalhos.

Curiosa a escalação de elenco de Ellen Lewis, que apresenta alguns atores mais conhecidos pela comédia, como Bob Odenkirk, David Cross e Zach Woods. Destes, apenas Odenkirk tem um papel relevante, sendo os outros descartáveis, estando no filme apenas pela oportunidade de trabalhar com um diretor e atores renomados. Enquanto isso, Sarah Paulson é totalmente desperdiçada no papel de Tony Bradlee, esposa de Ben, tendo pouco tempo de tela sem nenhuma oportunidade de mostrar seu talento.

Até John Williams, que também é lendário na sua carreira de músico, tendo trabalhado em quase todos os filmes de Spielberg, aqui apresenta a mesma falta de criatividade do diretor. Sua trilha é genérica, podendo ter sido composta por qualquer outro músico minimamente decente. Também é invasiva, forçando qualquer sentimento de tensão ou emoção que determinada cena queira transmitir ao espectador, resultando em algo antiquado.

Dentre todos esses fatores medianos, é importante destacar que o roteiro de Liz Hannah e Josh Singer não é alheio à subtrama pessoal de Graham. A personagem de Streep viu seu pai preferir deixar seu jornal para o genro do que para a própria filha, tendo esta conseguido liderar os negócios da família apenas com a morte de seu marido. O fato de ser mulher também gera questionamentos no próprio ambiente de trabalho em relação à sua capacidade de assumir um cargo tão importante. Apesar da relevância de tal discussão, esta é reservada apenas como pano de fundo na trama maior, sem a profundidade que merecia.

The Post – A Guerra Secreta é o típico filme feito para Oscar. Um diretor vencedor do Oscar com atores vencedores do Oscar e um compositor vencedor do Oscar, todos trabalhando juntos para contar uma história real que afetou o país inteiro. Está longe de ser um filme ruim, mas tinha tudo para ser ótimo, e sequer supriu as expectativas. Entre dramas jornalísticos de grande impacto, Spotlight – Segredos Revelados é bem mais assertivo em sua proposta; e entre filmes de Steven Spielberg baseados em fatos reais, Ponte de Espiões é bem melhor dirigido.

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