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PREDADORES ASSASSINOS – CRÍTICA

Um filme de catástrofe natural ou de animais assassinos? Que tal os dois?

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Como fã do cineasta Sam Raimi, que não dirige um longa desde 2013, qualquer coisa em que ele se envolva acaba caindo no meu interesse, mesmo que seja apenas como produtor. Contudo, quem assina a direção de Predadores Assassinos é o francês Alexandre Aja, responsável pelo remake da comédia de terror Piranha, onde mostra a sua experiência ao redor do gênero do horror com animais, resolvendo bem uma proposta já tão remoída pelo cinema B. Só que agora, além de jacarés à solta, temos também uma catástrofe natural.

A trama se passa na Flórida, que está sendo castigada por um enorme furacão que está trazendo várias tsunamis e forçando os moradores a deixarem suas casas. Ignorando o perigo, Haley (Kaya Scodelario) sai em busca de seu pai, que está ferido e preso em sua casa inundada. No entanto, a água passa a ser o menos dos problemas quando eles se vêem cercados de jacarés enormes.

A condução de Aja é muito boa, principalmente em como ele apresenta o perigo, que fica maior a cada cenário e traz o mínimo pra te deixar continuamente interessado. No entanto, tive a impressão de que foi gasto muito tempo com a introdução, quebrando o ritmo do longa. O melhor do filme é quando a tensão é criada até as ameaças surgirem e parecia que a trama ia seguir um caminho mais pé no chão. Mas, na verdade, o longa passa a exigir bastante da suspensão de descrença do espectador.

O roteiro dos irmãos Michael e Shawn Rasmussen é tão enxuto e preocupado em te ambientar e dar o tom que um trovão é a primeira coisa que você escuta, antes mesmo de algo aparecer. É engraçado também perceber que eles compartilham o mesmo sobrenome do biólogo brasileiro Richard Rasmussen, conhecido por suas participações em programas sobre animais. Isso não quer dizer que a representação do comportamento dos jacarés é precisa. No máximo, eu chamaria de “acreditável”. O uso balanceado de efeitos práticos e em CG ajuda, mas as consequências dos seus ataques é que são questionáveis.

Quem mais sofre mesmo são Kaya Scodelario e Barry Pepper, cujas performances são satisfatórias, podendo até ser convenientes quando são exigidos fisicamente, como expliquei acima. Contudo, foram os momentos dramáticos que surpreendentemente me desapontaram. A relação distante colocada entre pai e filha é carregada de diálogos expositivos, que não daria para digerir se não fosse o esforço dos atores. É incrível como deixaram certas falas passarem.

Eu entendo que exista claramente nessa história um arco de transformação, e para quem só queria ficar entretido, funcionou pra mim. Mas no fim, eu gostaria de fazer a reflexão sobre o quanto eu gostaria que esse projeto fosse de um diretor iniciante, pois Predadores Assassinos não agrega coisa alguma a filmografia de um time com uma carreira tão bem estabelecida.

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