Após uma polêmica estreia no festival de Cannes, Okja, filme feito em parceria com o diretor sul-coreano Joon-Ho Bong, mais conhecido no Brasil por filmes como Expresso do Amanhã e Memórias de um Assassino, chega à Netflix e cumpre a sua proposta de entretenimento e originalidade.
A trama segue Mikha, uma jovem que deve arriscar tudo para evitar que uma poderosa empresa multi-nacional sequestre sua melhor amiga, um animal enorme chamado “Okja”. A liberdade artística proporcionada pela produção da Netflix deu forma à visão privilegiada de Bong, que contou com uma equipe técnica e dramatúrgica competente e adicionou mais um acerto seu currículo.
O triunfo de Okja é, principalmente, o seu mix certeiro entre a fantasia e o real. O roteiro tem um ar de conto moderno e entrega a sua mensagem de forma lúdica e interessante. A cativante história do resgate de Okja é contada em diferentes tons ao longo da narrativa.
O início idílico da trama, mostrando a ligação entre Mija e Okja, traz ecos de grandes obras do Estúdio Ghibli, como Meu Vizinho Totoro e Princesa Mononoke, mostrando a conexão entre humanos e o meio ambiente em cenas dotadas de sentimentalismo e humor. Já a segunda parte da história traz a pitada de realidade, utilizando uma fotografia mais escura e figuras caricaturais, onde temos o plano resgate de Okja, com a ação do grupo de protetores dos animais e a denúncia contra a crueldade da indústria alimentícia.
A mistura entre o faz-de-conta e o mundo real é muito bem exposta no conceito gráfico do filme, com a figura adorável da super criatura Okja, feita em computação gráfica, interagindo com os humanos peculiares da história. Tilda Swinton encarna o duo de vilãs do filme com seu toque de Midas de sempre, contando com a ajuda de uma caracterização teatral divertida, com direito a polêmicas referências à Hillary Clinton. Enquanto isso, Jake Gyllenhaal aparece com um vilão estridente, com seu bigode e muitos maneirismos.
Para salvar Okja desse trio, temos o carismático Paul Dano encabeçando o time dos radicais do bem e ajudando a destemida Mija, interpretada pela atriz Seo-Hyun Ahn. O trabalho do elenco é afinado e sustenta a densidade do filme, que consegue distrair e também conscientizar o espectador.
Partindo uma premissa simples, Okja oferece um ótimo exercício de estética e de reflexão, sendo um filme fora dos padrões atuais de produção, mesclando uma certa pureza e fluidez que remete aos clássicos oitentistas, como o E.T. de Steven Spielberg, e um espírito ativista contemporâneo, expondo questões sobre o lucro, a tecnologia e a relação do homem com os animais. Sem dúvidas, é um filme único e encantador, um bom reflexo das novas ferramentas do cinema e da velha magia da sétima arte.



Parabéns!! Sua visão alcança não só os aspectos intrínsecos dos personagens, mas o enredo e a experiência da arte por trás do roteiro.!!
Muito obg Willian!Fico feliz que tenha gostado,seja bem vindo ao Cinemaginando e volte sempre!
Parabéns! Sua visão alcança não só os aspectos intrínsecos dos personagens, mas a arte por trás do roteiro!
Emanuella,
Sua crítica é delicada e profunda ao mesmo tempo, forja no leitor novas sensibilidades para a arte cinematográfica. Com a relação “fantasia e real”, “os diferentes tons da narrativa”, “o exercício de estética” oferecido por Okja, e “a figura adorável da super criatura” fica impossível não desejar assistir o filme. Crítica também é arte!!
Luciene,obg pelas palavras sinceras!Sua opinião é mt importante!O filme é desses que despertam nosso melhor lado, não fique só no desejo,não perca! Bjo!
Emanuella
Sua crítica é delicada e profunda ao mesmo tempo, forja no leitor novas sensibilidades para a arte cinematográfica. Com a relação “fantasia e real”, “os diferentes tons da narrativa”, “o exercício de estética” oferecido por Okja, e “a figura adorável da super criatura” fica impossível não desejar assistir o filme. Bravooooo!!!
Adorei a crítica espero que o filme desperte essa mistura de sensações…