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O FILME DA MINHA VIDA – CRÍTICA

Filme nacional conta história intimista e dramática, mas sem perder o bom humor.

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Selton Mello já se provou um ótimo diretor. Suas escolhas temáticas e sua visão por trás das câmeras já lhe renderam diversos prêmios e aclamação da crítica com obras como Feliz Natal, O Palhaço e o mais recente O Filme da Minha Vida.

O longa é baseado no romance chileno Um Pai de Cinema, de Antônio Skármeta, que inclusive tem um pequeno papel no filme. A trama conta a história de Tony Terranova (Johnny Massaro), um jovem adulto que vê o pai (Vincent Cassel) abandonar a família sem explicações e tenta lidar com a ausência deste enquanto sua vida amorosa aflora.

Naturalmente, o primeiro ato do filme tem uma atmosfera melancólica e introspectiva. A narrativa calma e espaçada é quase experimental. Os devaneios de Tony tomam conta do enredo, o que ajuda o espectador a desenvolver uma empatia pelo personagem logo de cara. Entretanto, o roteiro do próprio Selton Mello e Marcelo Vindicato surpreende com uma quebra dessa atmosfera mais intimista, lançando mão de ótimas doses de bom humor para trabalhar melhor o carisma do protagonista e não cair no melodrama barato.

O elenco é um dos pontos fortes do filme. Johnny Massaro retrata muito bem o lugar sentimental de seu personagem Tony, equilibrando a tristeza pelo abandono do pai e o deslumbramento pelas meninas que se apaixona. Porém, é Selton Mello que rouba a cena. O ator interpreta Paco, um “grosseirão” amigo da família de Tony que é responsável por boa parte das risadas no filme, mas não se limita a um mero alívio cômico, sendo de fundamental importância na trama.

Walter Carvalho, veterano e reconhecido diretor de fotografia, mostra aqui um de seus melhores trabalhos. O interior do Rio Grande do Sul é retratado de maneira soberba, parecendo verdadeiras pinturas vivas. O tom amarelado da película ajuda a nos transportar para a época do filme, além de resultar em um visual particularmente estiloso, principalmente em planos abertos.

Como o próprio diretor já disse, em tempos cinzas este filme é um alívio para o público. Sua narrativa tocante e divertida, seus personagens cativantes e seu belo visual evidenciam o amadurecimento de Selton Mello como diretor, fazendo com que este seja seu melhor trabalho até hoje.

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