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MUDO – CRÍTICA

Um lindo visual não compensa o roteiro extremamente falho.

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Olá, leitores! Dessa vez a Netflix resolveu apostar em um suspense interessante com o filme Mute (ou Mudo como vem em seu catalogo brasileiro), que se passa em Berlim no ano de 2056. Imigrantes do Leste e do Oeste estão em um conflito sem fim. O bartender Leo (Alexander Skarsgard), um jovem que sofreu um acidente quando criança, levava uma vida simples e decidiu não fazer a cirurgia para recuperar as cordas vocais, permanecendo mudo. Ele insiste em viver uma vida antiquada em meio a uma cidade totalmente tecnológica. A trama principal do filme acompanha sua jornada para encontrar sua namorada, que desapareceu sem deixar rastros, e ele cruzará o caminho de diversas pessoas calejados pelas experiências da guerra que não são tão amigáveis quanto ele esperava.

A trama parece simples, contudo, os roteiristas Michael Robert Johnson e Duncan Jones aparentemente nunca viram um filme sobre resgate, pois em vários momentos, o longa se perde. Jones, que também comanda o longa, é um diretor famoso por ter dirigido Lunar, Contra o Tempo e mais recentemente Warcraft, que não foi um sucesso absoluto nos EUA, mas fez dinheiro no resto do mundo. E nesse filme, ele parece ter controle total do que queria fazer, contudo, o que se quer fazer nem sempre é o melhor para o filme e ele perde tempo com subtramas desnecessárias, além de tirar o foco do que é necessário.

Por exemplo, ele se foca muito no fato do personagem utilizar somente métodos analógicos para buscar sua namorada. Outro ponto muito interessante é que toda vez que o mesmo toma água ele segura a respiração e recorda diversas vezes de cenas de embaixo d’água. No entanto, apenas um evento decorre em consequência do elemento água no final e, ainda assim, fica sem explicação. Por que Leo vive no passado, mesmo com a possibilidade de se atualizar, colocar uma prótese e seguir um caminho diferente? Trabalhando como bartender em um local totalmente tecnológico e ainda assim insistir em viver na analogia é um elemento deixado sem explicação, e não saber a razão se torna frustrante, já que é um mantra do personagem.

A motivação para a busca é muito fraca, o romance é mal explicado, personagens interessantes são deixados de lado e as cenas de ação quase não são mostradas em um filme que a porradaria deveria correr solta, pois (teoricamente) se trata de um filme de vingança tal como Busca Implacável. O filme perde tempo em pequenos detalhes e deixa outros como a questão entre americanos e alemães de lado. Também é citado algo sobre os soviéticos, mas o filme não aprofunda em nada deste tema, deixando um vácuo na mente do expectador.

Em termos de efeitos visuais, o filme é impecável. Berlim fica parecendo uma cidade saída de Blade Runner (1982), com luzes em vários cantos e a pobreza bem explícita em alguns bairros, tudo mostrado com um belo design de produção.

Já o elenco, o que torna o filme interessante é a performance de Alexander Skarsgard, passando a impressão de ser realmente mudo. Em alguns momentos, você consegue entender a dor do personagem somente com expressões faciais e ele não precisa de muito para parecer um monstro e bater em capangas. Paul Rudd não está em um dos seu melhores papeis, mas manda muito bem como um médico maníaco que faria de tudo pela filha. O restante do elenco não piora, mas são poucos explorados. Justin Theroux faz um papel muito interessante e com uma carga pesada nas costas, pois nunca vi em um filme tratarem do tema da pedofilia como aqui. O longa às vezes fala abertamente do assunto, diferente de como outros filmes tratam o tema. Esperava mais do personagem, contudo, o roteiro não ajuda.

Ademais, Mudo vai bem e prende a atenção, mas é um filme que tinha um potencial enorme que foi desperdiçado. A opção de lançá-lo diretamente na Netflix foi acertada.

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