Inicio Cinema Opinião DÍVIDA PERIGOSA (THE OUTSIDER) – CRÍTICA

DÍVIDA PERIGOSA (THE OUTSIDER) – CRÍTICA

Jared Leto é o gaijin sofredor e destemido no mais novo suspense da Netflix.

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O serviço de streaming de maior popularidade do mundo tem se saído muito bem no quesito séries, com dezenas de títulos de grande sucesso tanto junto ao público quanto junto a crítica. Já o caminho em meio aos longas metragens ainda não chegou ao seu auge.

The Outsider (Dívida Perigosa) trilha por este caminho de maneira a tentar equilibrar o jogo. Aqui encontramos um prisioneiro militar americano na Osaka pós-Segunda Guerra Mundial, que após ajudar um integrante da Yakuza dentro do presidio onde ambos se encontram, se vê envolvido no emaranhado das sombrias operações e tradições envolvendo sangue e honra da “Família”.

Você pode até pensar que se trata de mais um clichê do tipo gaijin se aventurando de forma suicida em terras nipônicas. Mas a produção original Netflix até que vai um pouco além e nos entrega um produto palatável. O diretor dinamarquês, Martin Zandvliet, na tentativa de mover sua narrativa para longe do lugar comum, tenta nos chocar com uma violência extrema e bastante gráfica. Temos sangue a rodo, em estilo tarantinesco. Mas só o sangue mesmo, tá. Faltam aqui diálogos com mais profundidade e um melhor desenvolvimento dos personagens.

Para entusiastas da cultura japonesa (como este que vos escreve) explicações a respeito de katanas, harakiri, honra e etc, podem ser bem interessantes. Mas no desenrolar da trama o didatismo vai ficando em evidência. Porém, nada que prejudique de forma contundente o resultado ou dificulte sobremaneira a experiência do espectador.

E aqui entra o ponto forte de Dívida Perigosa, seu protagonista, vivido pelo excelente e pra mim já consolidado, Jared Leto (Clube de Compras Dallas/Esquadrão Suicida). O também vocalista da banda de Rock 30 Seconds To Mars, nos brinda com uma belíssima e sincera atuação. Nick, seu personagem, é dotado de uma serenidade que está a todo momento se colocando a prova frente a violência exigida pelos serviços de um assassino Yakuza. Já o personagem de Emile Hirsch não diz muito a que veio. Ele surge e também se vai de maneira literalmente abrupta. Me parece um verdadeiro talento desperdiçado dentro da produção. Algo que está ali para justificar uma motivação. O que é feito de forma pouco convincente.

Por fim, vejo de maneira positiva a experiência de assistir ao filme. Não é nada que vá entrar pra história, mas não é de todo sofrível. Pelo contrário. Tecnicamente não há o que pontuar negativamente. Tudo está bem redondinho, brilhante. Desde a fotografia até a montagem e edição. O filme carece mesmo de um roteiro um pouco mais elaborado. E talvez de uma boa e temperada luta de espadas.

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