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DEATH NOTE (2017) – CRÍTICA

Adaptação americana é frustração certa para novatos e veteranos.

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O lançamento da Netflix, uma versão em live action do consagrado anime Death Note, chegou para atender a espera de um público ávido e fiel. Os amantes do anime e do mangá aguardavam curiosos e também receosos pelo resultado do filme. Os receios não eram à toa, pois o roteiro do anime é intrigante e muito bem desenvolvido ao longo da série, já apontando aí um desafio a ser superado na sua versão cinematográfica.

Infelizmente, o receios dos fãs não se mostraram injustificados, e dentre expectativas e realidades, a versão dirigida pelo diretor Adam Wingard (Bruxa de Blair) se perde em meio a muitos deslizes. A produção feita com bom orçamento e equipe técnica, conta com um casting de atores, em sua maioria, ainda desconhecidos do grande público, exceto pelo experiente Willem Dafoe (Anticristo).

A trama se desenrola quando Light Turner (Nat Wolff), um solitário estudante do ensino médio, acha o Death Note, um caderno sobrenatural pertencente ao deus da morte Ryuk (Willem Dafoe). Ao achar o caderno, Light passa a usá-lo para matar criminosos e malfeitores ao seu gosto. As mortes passam a atrair a atenção do misterioso L, um detetive que trabalha em parceria com a polícia e passa investigar as mortes. Em meio à essa caça, temos ainda o relacionamento de Light com Mia Sutton (Margaret Qualley, de The Leftovers), a qual passa ajudar Light com o seu plano de eliminar os criminosos escolhidos.

Partindo dessa premissa, o filme fracassa em vários aspectos, com destaque para os tons errados da narração e para o roteiro fraco. Wingard, experiente no gênero do terror, não consegue conduzir as cenas para um suspense e o que vemos é um highschool drama com toques de ação, onde o suspense passa longe do alvo e os trechos de supostos sustos se tornam risíveis. O ritmo é atrapalhado e a edição também não coopera para a coerência do filme.

Parte desse fiasco se deve à superficialidade com que a história é conduzida. Os personagens são mantidos em estereótipos rasos, o que é piorado pelas faltas dos atores, que em grande parte, não alcançam bem os personagens. Isso fica bem evidente na atuação sofrível do protagonista Natt Wolf. O rapaz parece não se decidir sobre a execução do personagem e exagera nos maneirismos, ficando à sombra dos coadjuvantes. Willem Dafoe se beneficia de um dos poucos acertos da produção. A estética bem feita do seu personagem consegue trazer alguma coisa de interessante e irônica pro seu Ryuk em meio aos deslizes do resto do elenco.

Essas pontas soltas fazem com que o filme se perca tanto no quesito entretenimento como na sua retomada de uma história prévia. Ele não convence em nenhum desses deveres e deixa o expectador, seja o fã de Death Note ou o avulso, a desejar. Em um último parecer, temos uma produção que subestima o seu público e decepciona em vários níveis.

Em sua empreitada nas adaptações do estilo, a Netflix acertou ao se preocupar com a demanda desse grande público fã do entretenimento japonês, porém a boa intenção foi prejudicada pelas escolhas ruins da produção e pela sua execução desastrada, confirmando a previsão de alguns e entristecendo os esperançosos. Por fim, resta o desejo de mais sorte na próxima tentativa, e somos presenteados com mais um filme que amamos odiar, um novo poço de memes e um forte candidato ao Framboesa de Ouro.

 

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