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CINEMAGINANDO INDICA: FILMES DE TERROR ESTRANGEIROS

Explore o terror bem longe de Hollywood.

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Hollywood já nos trouxe muito conteúdo (bom e ruim) quando se trata de filmes de terror. E falemos a verdade, quem não gosta de uma boa sessão de horror no Halloween? Mas esse ano decidimos fugir dos longas americanos e apresentaremos a vocês algumas opções de filmes de terror de outros países. E como não podia faltar, o Brasil será incluído.

Só colocaremos um filme por país, por isso, não se espante se algum título clássico não der as caras nessa lista. Estão prontos para ver o que o resto do mundo tem a oferecer para o Dia das Bruxas?

Mártires (Canadá)

Quando este filme de terror franco-canadense foi exibido pela primeira vez em Cannes, houve relatos de membros da platéia desmaiando nos corredores e vomitando depois de assistir a cenas de extrema tortura.
Hollywood até tentou fazer sua própria versão, intitulada Martírio, que foi um grande fracasso e foi criticada por suavizar demais os elementos que fizeram do original tão impactante. A trama acompanha Lucie, uma jovem que escapa de uma casa onde foi mantida em cativeiro e torturada. Ela cresce em um orfanato e retorna para a casa quinze anos depois para matar a família abusiva. Sua amiga Anna a segue, apenas para descobrir que Lucie de fato foi vítima de um culto dedicado a torturar meninas a fim de trazê-las perto o suficiente da morte para vislumbrar a vida após a morte. Eis um dos filmes com mais violência gráfica dessa lista. Basta dizer que o longa conta com uma cena onde uma mulher é inteiramente esfolada viva! Esse é para aqueles de estômago forte!

Audição (Japão)

Quando um viúvo de meia-idade chamado Aoyama tenta encontrar o amor de novo, seu amigo produtor de cinema faz um teste falso para encontrar uma pretendente. Ele se apaixona imediatamente pela bela Asami, uma jovem aspirante a atriz. Mas o que ele acaba descobrindo tarde demais é que ela é uma assassina psicopata. Takashi Miike é um diretor já conhecido por longas dignos de causar pesadelos até nos mais fortes. Outros exemplos são Ichi – O Assassino ou Visitor Q, que poderiam muito bem figurar nessa lista. Grande parte de Audição explora o relacionamento dos dois personagens e pouco a pouco revela o passado trágico de Asami. Mas ao longo do filme começamos a ver a verdadeira (e perturbadora) face de Asami. Por que você desconfie da moça e suas intenções, jamais imaginaria o quão perversa e cruel essa mulher é. Audição traz alguns momentos de revirar o estômago não apenas por suas cenas de violência, mas pelo horror psicológico.

À Meia-Noite Levarei Tua Alma (Brasil)

O filme mais antigo dessa lista, de 1963, não só é um clássico do cinema nacional como é o longa que nos apresenta à famosa figura do Zé do Caixão. A trama segue o próprio Zé do Caixão (José Mojica Marins), um cruel e sádico coveiro temido e odiado pela pequena cidade onde mora. Sua obsessão é gerar o filho perfeito para levar adiante sua linhagem, mas como sua esposa não pode gerar filhos, ele decide sequestrar e estuprar a namorada de seu melhor amigo. A história de Zé do Caixão continuou com os filmes seguido por Esta Noite encarnarei no Teu Cadáver (1966) e A Encarnação do Demônio (2007). O famoso personagem teria surgido em um pesadelo do próprio Mojica, que se viu arrastado por um homem de capa e cartola preta rumo a um túmulo com seu nome na lápide. Com a ajuda dos alunos de sua escola de atores, ele filmou o longa em um pequeno estúdio de São Paulo. Em 2015, o filme entrou na lista da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos. (disponível no YouTube)

Invasão Zumbi (Coreia do Sul)

Por mais que o gênero do terror com zumbis possa ser batido à essa altura, quando bem feito, sempre é bom indicar – especialmente para um bom Dia das Bruxas. Na trama, um surto viral deixa a Coréia em estado de emergência. Com um vírus não identificado se alastrando pelo país, o governo Coreano declara lei marcial. Todos que estão no trem expresso para Busan, uma cidade que defendeu com sucesso o surto viral, devem lutar por sua própria sobrevivência. O filme foi um enorme sucesso não apenas na Coreia do Sul, mas no resto do mundo. Uma sequência está sendo planejada e deve mostrar a expansão do vírus pela península coreana. Até mesmo Hollywood tem planos para fazer um remake do longa. O filme consegue criar com êxito um cenário aterrorizante, claustrofóbico e intenso. A velocidade e ferocidade dos zumbis em tela é o bastante para deixar o espectador sem fôlego. Mas além de caprichar na “sanguinolência” e na produção desse apocalipse zumbi, o filme ainda encontra tempo para trazer reflexões sobre a vida, amor e família. (disponível na Netflix)

REC (Espanha)

Seguindo o novo “boom” dos filmes de zumbi nos anos 2000, este terror espanhol se utiliza da estética found-footage – também moda na época -, justificando de maneira genial a presença diegética da câmera. Acompanhamos a gravação de uma reportagem sobre a rotina dos bombeiros, com entrevistas com os profissionais em questão e demonstração do seu local e método de trabalho, tudo num clima bem descontraído. Eis que, atendendo um chamado de emergência, a equipe de reportagem se desloca para um prédio acompanhando o trabalho dos bombeiros, então coisas estranhas começam a acontecer. A narrativa é extremamente realista e imersiva, pois durante os primeiros minutos acompanhamos o que realmente parece ser uma inofensiva cobertura jornalística, até com trechos do que viriam ser outtakes no processo de edição da matéria para ser exibida na televisão. Todo o suspense, a tensão e o estranhamento dos personagens no decorrer da trama são bem construídos e críveis. O sucesso do filme lhe rendeu algumas sequências com os mesmos diretores, além de um remake americano, mas nenhum destes conseguiu o mesmo êxito do original. (disponível na Amazon Prime Video)

Babadook (Austrália)

Dirigido pela então estreante Jennifer Kent, esse é um filme que explora mais o terror psicológico do que o físico, fazendo com que uma figura aparentemente boba como a do Babadook seja digna de pesadelos. A trama acompanha uma viúva atormentada pela violenta morte do marido. Ainda extremamente deprimida, ela cuida com dificuldade de seu rebelde filho Samuel, que nasceu no dia da morte de seu marido e com quem ela tem dificuldades de se afeiçoar. Após ler um perturbador livro infantil, intitulado Babadook, o menino se convence de que há um monstro na casa pronto para devorá-lo. A mãe então passa a perceber acontecimentos estranhos pela casa e começa a acreditar na presença de uma sinistra entidade sobrenatural. O filme retrata de forma realista e crua a depressão vivida pela protagonista, vivida pela brilhante Essie Davis. Não espere jump scares ou litros de sangue, mas com certeza espere por noites de sono bem desconfortáveis. (disponível na Netflix)

Raw (França/Bélgica)

A trama acompanha uma jovem vegetariana que ingressa na faculdade para estudar Veterinária. Em um dos trotes que sofre, ela é obrigada a comer carne crua. O ato desperta na moça um desejo irrefreável de comer carne, inclusive humana! Em seu lançamento no Festival de Toronto, o filme começou a ganhar a atenção da mídia quando surgiram relatos de pessoas na exibição que vomitaram ou desmaiaram durante a sessão do filme franco-belga. Por mais que algumas das cenas mais gráficas tenham ajudado a gerar hype pelo filme, o longa é mais íntimo e reflexivo, usando o canibalismo de sua protagonista como uma metáfora. Não espere aqui um festival de jump scares, mas sim uma jornada inquietante, claustrofóbica e violenta de uma jovem descobrindo instintos animalescos adormecidos. (disponível na Netflix)


Espíritos: A Morte Está ao seu Lado (Tailândia)

Quem poderia esquecer desse clássico? Lançado em 2004, esse terror tailandês acabou sendo um grande sucesso mundo afora, gerando remakes em Hollywood e até mesmo na Índia. Contudo, nenhum conseguiu se equiparar ao original. A trama acompanha o fotógrafo Tun e sua namorada Jane, que passam por experiências sobrenaturais após sofrerem um acidente de carro e atropelarem uma mulher. Após o incidente, sombras estranhas passam a aparecer nas fotos de Tun e Jane passa a investigar mais sobre a moça que atropelaram, descobrindo segredos terríveis no processo. O filme seguia a onda iniciada no Japão com Ju-On (versão original de O Grito) e Ringu (versão original de O Chamado), onde a figura sobrenatural é uma mulher pálida de longas madeixas negras. Espíritos faz um bom trabalho em criar a tensão e tem algumas cenas que vão fazer você querer se agarrar a algo ou alguém. Em alguns mercados, o filme Alone foi vendido como uma sequência de Espíritos, para aproveitar o sucesso do primeiro filme. No entanto, o filme, lançado no Brasil como Espíritos 2 – Você Nunca Está Sozinho, não tem relação com o original. (disponível no YouTube)

Game Over (Índia)

Com a aparente maldição sobre as adaptações de videogame, que não deixa nenhuma delas brilhar, que tal darmos uma chance para um longa indiana que traz essa mídia de outra forma. Aqui seguimos Sapna Desai, uma designer de jogos com nictofobia (medo do escuro) que está passando por uma crise devido ao trauma vivido no réveillon do ano anterior. O que chama a atenção nessa produção é o fato de haver três versões do filme (pelo menos na Netflix), mas basicamente não faz diferença, se não por alguns takes. O interessante mesmo é o lado experimental do filme, que traz a estética do found footage e uma sequência pesada de terror, mas também tira tempo para focar no drama pessoal de sua protagonista. Talvez, para você, só o terceiro ato faça jus ao título Game Over e ao gênero que apresenta, mas pode valer a pena para aqueles dispostos a investir em algo novo. (disponível na Netflix)

Prelúdio Para Matar (Itália)

Do diretor italiano Dario Argento – também conhecido por Suspiria (1977) – que em 2018 ganhou uma versão americana – Prelúdio Para Matar (1975) é um dos principais representantes do subgênero giallo, bastante influenciado pelas revistas pulp com temas policiais de mistério e assassinatos em série. A importância do giallo vai além da Itália, pois serviu de grande inspiração para o subgênero de slasher nos Estados Unidos. A premissa é básica aos filmes desse estilo, onde um músico testemunha um assassinato e se junta a uma jornalista numa trama perigosa para revelar a identidade do assassino. O que mais chama atenção é a estética do longa, com uma direção estilosa que valoriza as cenas de violência a la Hitchcock e um visual com personalidade singular, além da ótima trilha sonora da banda de rock progressivo Goblin, que viria a ser uma constante colaboradora de Argento em trabalhos futuros.

Que outros filmes de terror estrangeiros você recomendaria para o Halloween? Deixe nos comentários.

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