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‘THE SILENCE’ – CRÍTICA

Basicamente, a versão trash de 'Um Lugar Silencioso'.

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The Silence é um dos mais novos filmes originais da Netflix e parece ser amplamente inspirado no excelente filme de John Krasinski, Um Lugar Silencioso. Porém, The Silence já estava pronto desde 2017, mas ainda não havia sido lançado em canto nenhum até que a Netflix comprou os direitos do filme e o lançou agora em abril, na esperança de que o sucesso da série O Mundo Sombrio de Sabrina alavancasse o filme, já que a protagonista da série é também a protagonista do filme. Mas nada parece ser capaz de salvar um filme cujo o roteiro é raso e a direção é sem criatividade e burocrática.

The Silence conta a história de um ataque de morcegos mutantes assassinos. Tais criaturas estavam trancafiadas por milhões de anos em uma caverna, até que foram libertadas por exploradores desavisados. A horda de morcegos gigantes ganha então liberdade e começam a dizimar as pessoas, cidade após cidade. A única maneira de escapar é fazendo o máximo de silêncio possível.

No longa, acompanhamos uma família que tenta escapar dos monstros. Um dos membros é surdo e, por isso, todos eles sabem língua de sinais e, por isso, têm uma certa facilidade de escapar dos morcegos mutantes. E aqui está outra semelhança com Um Lugar Silencioso e até mesmo com Bird Box, outro filme original Netflix.

Não vou mentir, The Silence começa bem e parece que vai ser um filme competente. O responsável pela direção é John R. Leonetti, que já dirigiu Annabelle. Ele acerta na criação de cenas angustiantes e em um suspense que nos deixa bastante atentos à tela. Os atores também são bastante competentes e fazem o máximo que podem para dar vida aos personagens. E, por causa disso, a gente até se importa um pouco com eles. Mas, a partir do segundo ato as coisas começam a desandar, pois o roteiro não ajuda.

Em um mundo pós-apocalíptico, é comum os roteiristas explorarem o lado emocional e psicológico dos sobreviventes, dando uma camada a mais na história. Mas não é o que acontece aqui. O roteiro se apoia basicamente no embate da família com os “morcegos do cão”, como se a história dependesse exclusivamente dessa luta pela sobrevivência.

O diretor também erra na escolha de trilhas sonoras melodramáticas, como se estivesse querendo ditar o que o espectador deve sentir ao assistir o filme. Diferentemente de Um Lugar Silencioso, onde o silêncio é muito bem explorado, o mesmo não acontece em The Silence. Outro ponto negativo é o “namorico” entre a protagonista e um outro personagem secundário. Acrescenta quase nada à trama e o diálogo final é absurdamente ridículo e clichê, com uma narração em off totalmente desnecessária.

Mas, para piorar ainda mais a história, a partir da metade do filme, surge um reverendo que criou uma organização religiosa macabra que passa a perseguir a família. Algo totalmente desnecessário e que foge completamentge do foco principal do filme. Se os grandes vilões são os morcegos mutantes, o que justificaria a inserção de mais um ponto de conflito, já que os morcegos são uma ameaça muito mais perigosa? Parece ser algo apenas jogado na história e que serve única e exclusivamente para encher linguiça.

Assim, The Silence é um filme que até começa bem, mas se perde totalmente em seu roteiro confuso, uma direção que não brilha e que, em certos momentos, até atrapalha com seu didatismo desnecessário. Assim, arrisco dizer que este filme logo cairá no esquecimento e não chega nem aos pés de Um Lugar Silencioso. Na frente de The Silence, até Bird Box vira um filme bom.

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