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TED BUNDY: A FACE IRRESISTÍVEL DO MAL – CRÍTICA

Filme evita o sangue e aposta no thriller de tribunal.

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São pouquíssimos os exemplos de filmes que abordam a temática de serial killers que conseguem fugir do ciclo que gira em torno dos assassinatos e da violência gráfica. Não que possuir esse tipo de artifício seja um demérito, o problema está quando o enfoque e a narrativa giram em torno de apenas mostrar muito e chocar o público. Um ótimo exemplo disso é Zodíaco, dirigido por David Fincher, que consegue usar esses ingredientes de forma bastante equilibrada e eficiente, sempre em favor da narrativa. Porém, em Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal, isso vai um pouco além.

O filme aborda o período em que o famoso serial killer esteve ativo, aterrorizando diversos estados norte americanos com dezenas de mórbidos assassinatos de jovens mulheres durante os anos 70. O caso de Bundy se tornou notório por alguns aspectos: ele era um jovem carismático e estudante de direito que exercia uma espécie de fascínio e sedução (digamos que muito peculiares) sobre jovens mulheres. Também foi o primeiro julgamento nos Estados Unidos a ser transmitido pela TV, além do mesmo durante muito tempo se declarar inocente e por vezes fazer o papel de ser seu próprio advogado. Tudo isso, além da natureza monstruosa dos crimes, gerou uma repercussão absurda naquele momento efervescente vivido nos Estados Unidos.

E é aqui que a direção de Joe Berlinger e o excelente roteiro da dupla Elizabeth Kendall e Michael Wermie se tornam um diferencial entre os filmes desse gênero. A narrativa não foca em mostrar os assassinatos (com exceção de apenas um) apelando para a violência gráfica em nenhum momento. O propósito aqui não é ser mais um slasher. O longa foca em contar o drama vivido pelas pessoas mais próximas a Bundy. Quer seja do seu convívio pessoal, quer sejam das figuras envolvidas durante o transcorrer do seu caso. Por essa escolha a produção acaba por privilegiar a atuação do elenco, principalmente a de Zac Efron como Bundy. Efron encarnou de maneira precisa e por muitas vezes emocionante, o personagem do psicopata. Talvez tenha sido, até então, a atuação de maior destaque de sua carreira.

Para privilegiar o trabalho do elenco, o mesmo não poderia deixar de ser de grande qualidade, e nisso o material humano que Berlinger teve a mão foi pontualmente sob medida. Lily Collins, como a namorada de Bundy, e John Malkovich, como o juiz do julgamento na Flórida, estão espetaculares. Mas dizer isso sobre Malkovich é chover no molhado. Temos ainda no elenco Haley Joel Osment e Jim Parsons, tentando sem sucesso (até agora) se desvencilhar do seu brilhante Sheldon de The Big Bang Theory. E, em uma escolha inusitada, ninguém mais, ninguém menos que James Hetfield, vocalista e guitarrista fundador do Metallica, interpreta um dos primeiros policiais a prender Ted Bundy.

Um outro detalhe importante na narrativa é que em boa parte da projeção o filme acaba virando para o gênero de tribunal, o que para mim é mais um ponto positivo exatamente por fugir do lugar comum. O problema é que talvez muita gente compre a ideia dessa produção justamente por aquilo que ela escolheu não mostrar. Pelo menos até a sua conclusão (o clímax é no mínimo bastante denso).

De qualquer maneira Ted Bundy: A Irresistível Face do Mal é importante justamente para mostrar que é possível se contar uma história violenta sem necessariamente apelar a todo momento para o gore.

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