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TAU – CRÍTICA

Sci-fi tenta capturar a essência de filmes clássicos, mas o resultado deixa a desejar.

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Julia é uma jovem estudante de música que durante a noite entre um “amasso” e outro, surrupia pertences de valor dos os homens que seduz. Ela é então sequestrada e posta em cativeiro afim de participar de uma experiência para desenvolver uma nova tecnologia, entrando em contato com a entidade de inteligência artificial chamada simplesmente de Tau.

Essa é basicamente a premissa inicial do longa Sci-Fi da Netflix, também sendo a estreia de Federico D’Alessandro na cadeira de diretor. Percebe-se que D’Alessandro realmente bebe em diversas fontes do gênero, como o IA – Inteligência Artificial, 13º Andar, mas principalmente em Cubo, um clássico do sci-fi de orçamento modesto. Fica até meio óbvio a tentativa de emular a experiência visceral que fez de Cubo um sucesso de público e crítica. Porém, diferentemente de uma de suas fontes de inspiração, falta a ele originalidade e até qualidade para aplicar as premissas básicas tanto do gênero em si, mas também do cinema em geral.

Tecnicamente a produção de Tau beira o desastre. Nem irei me atrever a pontuar tudo porque a lista é enorme, vou me ater apenas aos principais problemas. É evidente a falta de qualidade no CGI, e em muitas vezes não há como levar a sério as aparições do robô Ares. O que era para gerar uma sensação de urgência e um sentimento de suspense faz justamente o contrário, deixando claro que a produção parecia estar jogando contra o patrimônio. A direção também carece de participação. Simplesmente não dá pra enxergar a mão de D’Alessandro sendo firme em sua estréia, o que claramente prejudica e muito a atuação da contida Maika Monroe. Ed Skrein, como o sequestrador de Julia e prodígio da tecnologia também está apático e inexpressivo, como um verdadeiro Christian Grey do Sci-Fi.

Os momentos de arroubo do filme estão justamente em algumas cenas de interação entre Julia e a máquina Tau, que tem a voz do genial Gary Oldman. Existe aqui também uma tentativa de emular a relação de Hal-9000 e David Bowman no clássico 2001 – Uma Odisséia no Espaço do lendário Stanley Kubrick. E talvez seja justamente esse detalhe que salve essas cenas. A voz de Oldman também contribui muito para isso.

Nota-se então que o roteiro de Noga Landau faz uma tentativa nobre em gerar empatia entre os fãs do gênero. Realmente existe uma ideia interessante ali. As referências Sci-Fi, os questionamentos filosóficos sobre o real sentido de existir, o futuro e utilização da inteligência artificial e o eterno embate entre criador e criatura. Pena que quase tudo isso seja pessimamente executado, fazendo com que o espectador simplesmente não se importe com aqueles personagens. Talvez na próxima, Federico.

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