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STAR TREK: SEM FRONTEIRAS – CRÍTICA

Filme se mantem fiel à série original e acerta novamente.

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Direção: Justin Lin
Roteiro: Doug Jung e Simon Pegg
Elenco: Chris Pine, Zachary Quinto, Idris Elba, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg, Anton Yelchin, John Cho e Sofia Boutella

 

star-trek-beyond-posterStar Trek é uma das maiores franquias do mundo pop. A série original foi um divisor de águas no gênero de ficção-científica, ousando nos anos 60 com temáticas inteligentes e mensagens de tolerância e respeito às diferenças. A nova franquia cinematográfica inaugurada por J. J. Abrams chega ao terceiro filme pelas mãos de Justin Lin, mais conhecido por sua contribuição em outra franquia de sucesso, Velozes e Furiosos. Lin imprime seu estilo de ação exagerada, mas sem que esta se sobreponha aos personagens e à história. O roteiro de Doug Jung e Simon Pegg, que interpreta o engenheiro da Enterprise, Scott, traz diversas referências à série clássica, retomando a verdadeira orientação dos tipos de missões realizadas pela tripulação liderada por James T. Kirk (Chris Pine).

Aqui vemos a Frota Estelar em sua essência, mediando relações entre espécies de forma diplomática, ajudando na locomoção de pessoas através da galáxia, sempre evitando conflito. Uma opção certeira para evitar que o espírito de Star Trek se perca em meio à necessidade de adrenalina intrínseca aos blockbusters.

Neste sentido, a direção de Lin casa muito bem para achar um equilíbrio no desenvolvimento narrativo. As cenas de ação nunca são jogadas para puro deleito do público casual, mas sim integradas ao enredo, sempre levando a outro ponto da história em sua resolução. Seguem a estrutura da série de problema e solução. Sempre há algo para resolver e a ação faz parte da solução de um problema específico, logo sendo seguido por outro, etc.

O enredo começa com uma aparente missão de rotina, onde Capitão Kirk e sua tripulação são atacados pelo vilão Krall (Idris Elba) e suas milhares de pequenas naves, que destroem a Enterprise e a deixam cair no planeta que serve de base para o exército do vilão. Nossos heróis agora têm que salvar parte da tripulação que foi capturada e dar um jeito de fugir daquele planeta.

O enredo é simples, mas isso dá espaço para trabalhar os personagens. Pegg, como bom fã da série, escreve cada um com uma surpreendente desenvoltura, definindo bem suas personalidades e dando espaço para todos brilharem. A Enterprise também é tratada como um personagem. Sua importância fica evidente nos diversos takes em variados ângulos da fotografia de Stephen F. Windon, também veterano da franquia Velozes e Furiosos. A icônica nave é muito valorizada durante o primeiro ato, gerando grande empatia do espectador em relação a Kirk quando este testemunha sua destruição.

As motivações de Krall não ficam muito claras no início, mas isso é justificado no terceiro ato. Entretanto, o antagonista não poderia ser mais adequado, uma vez  que sua visão de mundo entra em choque direto com o que a Frota Estelar acredita. Enquanto esta sempre busca a união de seus membros para se fortalecer, Krall diz que a verdadeira força vem da luta, e não da pacificidade. Ele tem uma enorme necessidade de se provar correto em detrimento dos tripulantes da Enterprise. Mais uma vez, o roteiro evidencia aí uma correlação com o espírito da série original, onde o principal fator de evolução social e tecnológico é a paz entre os seres vivos.

O design de produção de Thomas E. Sanders casa muito bem com a fotografia de Windon. As cores saturadas desviam-se sutilmente da visão pessimista que as ficções-científicas atuais tendem a elaborar. As maquiagens mescladas com efeitos visuais soam orgânicas, embora muitas delas sejam semelhantes, mesmo quando visam identificar espécies diferentes.

Durante o filme, vemos uma bela homenagem à Leonard Nimoy, que eternizou o personagem Spock na série clássica, hoje vivido decentemente nos filmes por Zachary Quinto. Esta homenagem não é apenas uma citação, mas sim algo que faz parte do arco dramático do novo Spock, sendo importante para a narrativa. Já a homenagem a Anton Yelchin, que interpreta Chekov, falecido no meio do ano, é mais pontual e sutil, mas não menos justa.

Star Trek: Sem Fronteiras provavelmente é o filme da nova franquia que mais fielmente moderniza a série clássica. A história contida é o ponto ideal para se libertar de uma necessidade de sequência, funcionando como um grande episódio de uma série que depois pode tomar novos rumos, ousadamente indo onde ninguém jamais foi!

nota-8

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