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SLENDER MAN – CRÍTICA

Roteiro pobre e montagem falha resultam em mais uma decepção do gênero.

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Lendas urbanas é algo que sempre mexeu com o inconsciente coletivo. Nada como uma história macabra para atiçar nossa curiosidade e nossos mais profundos temores. E como não poderia deixar de ser, o cinema se aproveita de muitos desses elementos para construir suas narrativas, dos mais clássicos e antigos, até aos mais atuais e modernos.

Com Slender Man – Pesadelo Sem Rosto ocorre basicamente isso, só que com um detalhe no mínimo curioso. Em 2009, Victor Surge, pseudônimo de Erik Knudsen, criou para um concurso de edição de imagens assustadoras uma foto-montagem de um grupo de adolescentes sendo assombrado pela figura de um ser espectral. A figura de um homem sem rosto, muito alto e magro, viralizou pela internet. Assim nasceu o “homem delgado” ou “Slender Man”. E mais uma vez algo meramente fictício e produzido foi tomado como sendo de fato verdadeiro. Quase uma década depois de sua criação e surgimento, após ter sido explorado em diversas mídias, o “Slender Man” chegou nas telonas.

A produção da Sony dirigida por Sylvain White, conta a história de um grupo de quatro meninas adolescentes, que vivem numa pequena cidade de Massachusetts. Elas ficam curiosas a respeito de uma horripilante criatura que pode ser invocada através de um site na internet. E é óbvio que nada de bom poderia acontecer após essa noite de invocação. Obviedade é um dos muitos problemas do roteiro de David Birke. É um clichê atrás do outro, um mais desinteressante que o outro. Ele a todo o momento tenta emular o clima de O Chamado e o pesadelo dormindo/acordado de A Hora do Pesadelo. O terror japonês e a criatividade do saudoso Wes Craven não é algo para simplesmente tentar imitar, pois são elementos muito singulares e complexos em sua própria origem. A tentativa aqui foi muito falha e em muitos momentos até descarada. As sequências que deveriam ser as mais aterrorizantes, são na verdade um pastiche entre o vídeo macabro de O Chamado e o cataclismo de Freddy Krueger. O que é uma pena e também um trunfo desperdiçado.

É bastante perceptível um problema na montagem. Uma cena parece não se conectar a outra, deixando claro esse descompasso. Um dos trailers entrega uma que, ao meu ver, seria de extrema importância para o desenvolvimento de uma personagem, mas que também ficou de fora do corte final. De verossimilhança nem comentarei, porque ela aqui passou longe.

O saldo positivo é a atuação do núcleo principal do longa. As meninas estão super bem, com destaque para Joey King (a mais nova queridinha da Netflix) e Julia Goldani Telles, que por sua vez é filha de mãe brasileira. A fotografia também tem seu valor e muita qualidade. Existe um esmero em criar e fazer funcionar uma linguagem cinematográfica, que senão inovadora, pouco usual e diferenciada. Porém, isso não é em nada suficiente para aprovar esse projeto que inicialmente tinha grande potencial de sucesso. No fim o susto funciona mesmo só por nossa conta. 

 

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