Inicio Gênero Ação PRÓXIMA PARADA: APOCALIPSE – CRÍTICA

PRÓXIMA PARADA: APOCALIPSE – CRÍTICA

O mais novo fracasso da Netflix.

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Filmes de desastre onde se põe a prova o futuro da vida no planeta existem desde os primórdios do cinema. Cada um com seu estilo e formas de contar sua verdade. Por exemplo, temos os filmes do especialista no assunto: Roland Emmerich. O cara consegue emular diversas situações distintas dentro de arcos que se entrelaçam de forma concisa e natural. Dramas teen e familiares, conflitos geopolíticos, especulação monetária, crises existenciais, de tudo isso e mais um pouco! Emmerich consegue te entreter ao mesmo tempo que te informa, o que causa a sensação de imersão e interesse natural de quem acompanha todo esse processo na tela. Sem falar em sua incrível capacidade de filmar tudo isso de forma quase sempre espetacular.

A grande questão do original Netflix Próxima Parada: Apocalipse, dirigido por David M. Rosenthal, é falhar justamente no detalhe em que Emmerich parece se esforçar ao máximo para obter: o interesse e imersão natural do espectador. Afinal de contas, não da pra assistir a esse gênero de filme se você não consegue se importar com aqueles personagens, ou pior, se você de fato não consegue ao menos compreender o que realmente está acontecendo. Aqui nós temos a premissa básica, desastres naturais começam a acontecer nos EUA, colocando em colapso quase todo o sistema de energia e informação do país. Nesse meio temos o personagem de Tom Sutherland, interpretado pelo grande Forest Whitaker, tentando resgatar sua filha grávida que está do outro lado da costa acompanhado do noivo dela, Will Younger, interpretado pelo limitado Theo James. É o velho clichê do sogro militar e o genro indesejado. Ser clichê não é o problema, o problema é quando o clichê não funciona por ser feito de maneira forçada. Nem o talento nato de Forest Whitaker consegue salvar esse arco. Outra questão é que em nenhum momento se explica realmente a causa de todo estes desastres. Não que um filme realmente precise explicar ou deixar isso de maneira tão explícita, o que, porém, não da para tragar é ser confuso ao ponto de nem os próprios personagens entenderem o que se passa ou que estão fazendo no meio daquilo. Tudo está muito solto e vago, nunca saindo do plano especulatório, o que não contribui em nada para o interesse do espectador. São ingredientes que vão apenas nos distanciando de tudo (ou nada) do que ocorre no roteiro de Brooks Mclaren.

O ponto positivo, e revelação desta produção, é a personagem Ricki, uma menina de origem indígena com talento para mecânica que é interpretada pela talentosa Grace Dove. Ela surge durante o segundo ato, auxiliando Tom e Will em sua missão de resgate. Ricki nos dá um pouco de profundidade e humanidade com a carga emocional de sua curta e precisa passagem, se tornando um verdadeiro oásis para os que resistirem ao sacrificante processo de assistir aos desastres na tela. Porque até o clímax, um dos grandes marcos do gênero de desastre, onde a carga de emoção e adrenalina costumam se chegar nas alturas, aqui ocorre de maneira simplesmente broxante.

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