Inicio Gênero Drama OBSESSÃO – CRÍTICA

OBSESSÃO – CRÍTICA

Thriller de Neil Jodan não cria grandes expectativas, mas acaba surpreendendo.

206
0
COMPARTILHE

Em uma determinada cena do filme, uma das personagens diz para a outra: “Este vinho é igual a você. Promete muito, mas decepciona“. Eu não posso dizer o mesmo deste filme, já que ele promete muito pouco, mas surpreende. Obsessão (Greta) teve pouquíssima (ou quase nenhuma) divulgação e, talvez por isso, a sala de cinema em que assisti ao longa estava quase vazia – só 4 pessoas. Realmente, o cartaz e trailer não empolgam, mas talvez seja por ir com as expectativas tão baixas que eu gostei bastante desse filme.

Obsessão é um thriller psicológico bem eficiente. Frances (Chloe Grace Moretz), uma jovem recém-chegada em Nova York, encontra uma bolsa esquecida no metrô. Ao descobrir o endereço da dona da bolsa, ela vai até lá para devolver e encontra Greta (Isabelle Huppert), uma senhora na casa dos 50 anos extremamente simpática, doce, gentil e solitária. A jovem Frances, que havia perdido a mãe a pouco tempo, logo se apega à Greta e a amizade das duas evolui rapidamente.

O primeiro ato do filme é leve e lembra muito o de romances clássicos, inclusive na trilha sonora, que toca “Where Are You”, single romântico dos anos 60. Os enquadramentos escolhidos pelo diretor, o desfoque do fundo, as luzes quentes… tudo isso denota uma situação de romance, mas aqui temos só uma bela amizade mesmo.

Depois que Frances descobre que Greta não é muito boa da cabeça e está mais para uma psicopata do que para uma senhora inofensiva é que a trama começa a tomar forma e o filme fica tenso. A jovem decide acabar com a amizade e daí começa a vivenciar uma experiência horrível: Greta ligando insistentemente em todos os números possíveis, mandando mensagem sem parar e até stalkeando a moça no trabalho e na volta para casa.

Este é o mais novo filme de Neil Jordan, diretor que tem no currículo filmes como Entrevista com o Vampiro e Traídos pelo Desejo, pelo qual ganhou o Oscar de Melhor Roteiro e concorreu ao de Melhor Diretor. Ou seja, não é um cara inexperiente. O diretor é bem competente na hora de criar a tensão, usando com sabedoria os enquadramentos, a luz e a fotografia. A atuação de Grace Moretz e Isabelle Huppert também ajudam a criar esse suspense angustiante. A primeira totalmente assustada e insegura e a outra com feições de dar medo e causar raiva no expectador.

Desta forma, Obsessão se mostra um thriller de suspense que prende a sua atenção e o deixa bem angustiando, torcendo pela fuga de Frances. Porém, isso não significa que ele não tenha defeitos. O roteiro por vezes é bem previsível, antecipando diversos acontecimentos. Além disso, ele não se aprofunda o suficiente na antagonista. Ele até faz menção de querer explicar o passado e os motivos da vilã, mas não se aprofunda e acaba que Greta faz o que faz apenas por ser má mesmo, sem nenhuma grande motivação por trás. O roteiro poderia ser melhor explorado nesse ponto e dar mais tridimensionalidade à personagem de Isabelle Huppert.

Finalizando, Obsessão não é um filme perfeito e muito menos marcante, mas consegue criar uma atmosfera de tensão com sucesso e prender a sua atenção durante toda a projeção. Se decidir vê-lo no cinema, com certeza não se arrependerá.

Anuncie no Cinemaginando
Anuncie no Cinemaginando
Anuncie no Cinemaginando