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O REI – CRÍTICA

Filme é um drama histórico e intimista que nos conta a história real do Rei Henrique V.

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Ao apertar o Play para assistir a nova produção original Netflix, O Rei, dirigido por David Michôd, eu me deparei com uma cena inicial linda, densa, com fotografia primorosa e que funcionou como um excelente cartão de visitas para o filme. “Pelo menos a fotografia já valeu a pena”, eu pensei. E que bom que não foi só a fotografia.

Aqui vemos um pequeno recorte histórico (nem tão preciso, é verdade) da Inglaterra do século XV, onde foi travada a famigerada “Guerra dos 100 anos”. Acompanhamos o jovem príncipe Hal, primogênito do rei Henrique IV, que viria a se tornar o próximo rei da Inglaterra ainda muito jovem, devido ao falecimento precoce de seu pai. Embora a linha de sucessão seja bem clara (filho substitui pai), à época Hal não assumiria o trono. Isso porque pai e filho tinham ideologias bem contrastantes.

Enquanto Henrique IV era beligerante, paranoico e até com um certo viés ditatorial, seu filho Hal era pacifista e conciliador, avesso aos horrores da guerra, fazendo de tudo para evitá-la. Devido a essas diferenças, ele escolheu viver longe do palácio e de toda a nobreza do rei, angariando assim o repúdio do pai, que prometera dar o trono para o filho mais novo.
Em certo momento do longa, o irmão mais novo de Hal está prestes a liderar uma grande batalha contra um dos rebeldes do reino. Para evitar o conflito, que certamente acabaria em muitas mortes, o prínicpe Hal se intromete na história e, ao invés de uma luta entre exércitos, ele propõe o bom e velho 1×1, ou seja, luta de um contra um até a morte. Assim, ele acaba lutando sozinho contra o líder dos rebeldes. Tudo para poupar a vida de homens que ele nem sequer conhecia direito.

À propósito, essa sequência é responsável por uma das lutas medievais mais realistas que eu já vi. Podemos sentir o peso das armaduras de ferro, a dor dos golpes, o cansaço dos personagens. Não é nada glorioso nem cinematográfico. É apenas a realidade. O desfecho da batalha causa cicatrizes profundas em Hal. Mas, narrativamente falando, é importante para mostrar a personalidade do futuro rei.

A atuação de Timotheé Chalamet (Me Chame Pelo Seu Nome), mais uma vez, está irrepreensível. O jovem ator cada vez mais se firma entre os grandes atores de sua geração. Acredito que seja apenas questão de tempo para ele ser laureado com o Oscar no futuro. Mesmo com seu corpo franzino, Chalamet passa uma certa imponência e força dignas de um rei. As sutis mudanças no olhar do ator são suficientes para mostrar o peso de sentar no trono e tomar tantas decisões difíceis. Porém, ele tem seus momentos de acesso de raiva.

Para ser justo, todos os outros atores estão muito bem em seus papéis. Sean Harris está ótimo com seu jeito calmo de falar e trejeitos, Joel Edgerton fez um excelente melhor amigo do rei e até os atores com menos tempo de tela, como Lily-Rose Depp, Ben Mendelsohn, Thomasin Mckenzie e Robert Pattinson estão ótimos em suas atuações. Mérito do diretor David Michôd, que soube extrair o melhor de cada um.

O roteiro, escrito por Michôd e pelo ator Joel Edgerton, não tem pressa em contar a história e desenvolver os personagens. Apesar do ritmo cadenciado do longa, ele não é cansativo, embora eu ache que ele poderia ter 2 horas, ao invés de 2h20. Gostaria de destacar também a trilha sonora, composta por Nicholas Britell (Moonlight: Sob a Luz do Luar). A trilha sonora reflete bem a personalidade do Rei Henrique V: é calma e serena, mas também épica nos momentos necessários.

Por fim, gostaria de pontuar sobre a Batalha de Azincourt e seus aspectos técnicos. Percebi que o diretor falhou em mostrar a estratégia explicada cenas antes de ser posta em prática no campo de batalha. Por outro lado, quando ele saiu dos planos abertos e passou para dentro do campo de batalha, ele se saiu muito bem. A câmera tremida e balançando sem parar mostra com crueza as barbaridades da guerra em meio ao sangue e lama. 

Assim, O Rei acaba por ser muito mais um drama histórico do que um filme de guerra. Os diálogos são muito bem escritos, as atuações impressionantes e com um subtexto que fala sobre o amadurecimento de um jovem que é obrigado a se tornar rei e aguentar as pesadas cargas de responsabilidade que é liderar uma nação. Recomendado!

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