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NOITE DE LOBOS – CRÍTICA

Apesar das muitas qualidades, thriller é prejudicado por um roteiro falho.

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Abordando seus temas de forma metafórica e até de certa maneira poética, apesar da grande violência, o diretor americano Jeremy Saulnier nos traz mais uma produção com os moldes já tão estabelecidos em seu estilo de filmar.

Nesse dramático thriller que se passa nos confins do Alasca, acompanhamos o drama de uma mãe que supostamente teve o seu filho pequeno levado por lobos. Uma tragédia já vivida anteriormente pelo povo que habita o mesmo vilarejo. Ela então, em busca de vingança para a sua perda, entra em contato com o escritor e especialista em lobos, Russell Core. Seu marido, que se encontra no serviço militar em algum conflito no Oriente Médio, precisa, na visão da mesma, estar em paz no seu retorno para casa.

E é entre esses três personagens que gira a roda narrativa de Noite de Lobos. Todos vivendo sérios conflitos interiores. É também nesse núcleo que se encontra um dos pontos fortes do filme. Jeffrey Wright está ótimo vivendo o escritor Russell Core. Ele realmente consegue imprimir em sua atuação todo o cansaço e tormento de seu personagem. Já Alexander Skarsgård mostra sua desenvoltura ao dar vida ao militar frio, calculista e violento. Irretocável. Porém, ambos são eclipsados pelo talento formidável de Riley Keough. E olha que o tempo de tela de Keough é de certa forma inferior ao de seus outros colegas. A consistência de Saulnier na direção deve ter sido bastante facilitada com um elenco tão formidável. Outro ponto a favor desta produção original Netflix é a fotografia de Magnus Nordenhof Jønck. As montanhas envoltas em neve, os vales e rios congelados são filmados de forma sensível e magistral, tentando a todo tempo fugir de obviedades. Isso é demonstrado também nas cenas de ação. Aqui a violência é bastante gráfica. O sangue não jorra apenas, ele parece gritar na tela! Existe até uma cena de tiroteio bem ao estilo de Michael Mann, cheia de tensão que nos tira todo o fôlego.

Mas agora preciso pontuar o que incomoda nestes pouco mais de 120 minutos de duração. O roteiro adaptado de Macon Blair, diferente da fotografia, é recheado de obviedades e em diversos momentos leva seus personagens a encruzilhadas irremediáveis. Por exemplo, o personagem de Wright parece estar sempre a ponto de viver uma grande sequência. Sempre na eminência de acontecer algo grandioso, ou de fazer uma revelação acachapante, mas que realmente nunca chega. Dá até uma certa peninha do especialista em lobos. Blair também entrega o mistério central da história cedo demais, fazendo com que do segundo ato em diante o filme fique como aquele cachorro que corre atrás do próprio rabo até cansar.

Noite de Lobos caminhava muito bem e poderia ter um final bem mais marcante, porém, o roteiro acaba nos levando a um verdadeiro beco sem saída de metáforas sobre violência.

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