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MISSÃO NO MAR VERMELHO – CRÍTICA

Chris Evans brilha na nova produção da Netflix.

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Entre o final dos anos 70 e início dos anos 80 milhares de etíopes judeus viviam em situação precária e sofrendo com uma limpeza étnica imposta pelo governo sudanês. Por essa causa o estado de Israel montou uma operação para resgatar estes refugiados através do perigosíssimo território do Sudão. O agente do Mossad, Ari Levinson, juntamente com sua equipe, desenvolvem uma estratégia ousada para resgatar o maior número de refugiados possíveis. Eles decidem arrendar um hotel que fica exatamente na costa do Mar Vermelho e usá-lo como fachada para tal. O Red Sea Diving Resort se transformou num verdadeiro oásis, tanto para turistas que buscam um mergulho profundo em águas quentes, como também para os refugiados que almejam pisar na cidade sagrada de Jerusalém.

Partindo então dessa premissa as comparações seriam inevitáveis e comparações nem sempre são agradáveis ou justas. Ainda mais se tratando a respeito de produções artísticas como um todo. Mas é quase impossível dissociar, Missão no Mar Vermelho, o grande lançamento original Netflix desta semana, com Argo, o premiado filme de 2012 dirigido por Ben Affleck. Ambos se passam praticamente na mesma época e usam de estratégias bastante teatrais para um difícil resgate. O problema é que o filme escrito e dirigido pelo israelense Gideon Raff não possui um roteiro tão coeso quanto o de Chris Terrio. As situações na produção da gigante do streaming parecem um tanto atropeladas e forçadas. Alguns eventos acontecem de forma meio aleatória, para talvez dar uma maior sensação de agilidade à narrativa, que por vezes se torna amarrada.

O ponto alto está no trabalho do elenco. Destaque para o eterno Capitão América, Chris Evans, que mais uma vez mostra que não é o ator limitado que alguns dizem. Evans, que está praticamente com o mesmo visual que usou em Vingadores: Guerra Infinita, entrega um de seus melhores trabalhos como protagonista, lembrando por vezes sua performance em Código de Honra. Halley Bennett e Alessandro Nivola também fazem um excelente trabalho na pele dos integrantes da equipe de resgate. Contamos ainda com o veterano Ben Kingsley, que é aquele tipo de ator que impõe um grau elevado de respeito na produção.

A trilha sonora e montagem também são bem interessantes, por evocarem com fidelidade a estética peculiar daquele período marcante da história. Agora fazendo um exercício de reflexão, é bem possível que se, hipoteticamente,Argo não tivesse sido filmado, não existiria uma pressão ou exigência tão grandes sobre Missão no Mar Vermelho. A despeito de tudo isso a produção da Netflix possui uma ótima carga de dramaticidade e urgência e ainda nos traz a reflexão sobre a caótica situação dos refugiados no mundo atual. Talvez, principalmente por este motivo, é um filme que, mesmo não tendo o brilho do alvo de comparação, merece ser visto e observado com carinho, principalmente pelos dias que nos têm sido apresentados.

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