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LION: UMA JORNADA PARA CASA – CRÍTICA

Uma emocionante história sobre perdas, encontros e família.

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lion_xlgLion é uma história emocionante. Primeiro porque a direção do estreante em longas-metragem, Garth Davis, constrói uma atmosfera consternadora durante todo filme, principalmente na primeira parte do filme, quando o protagonista Saroo ainda é uma criança perdida. Segundo, é saber ao final do filme que, por ano, 80 mil crianças desaparecem na Índia e que não terão a mesmo destino de Saroo.

Com o roteiro de Luke Davies adaptado do livro A Long Way Home, Lion conta a história do indiano Saroo em dois momentos de sua vida: na infância e vida adulta. No primeiro momento, enquanto criança, Saroo se perde de seu irmão Guddu (Abhishek Bharate), indo parar em Calcutá, a 1600 km de sua casa e família. Sozinho no mundo, ele acaba indo para um orfanato, onde é adotado por um casal de australianos. A segunda parte é a jornada de Saroo (agora adulto) para encontrar sua família, utilizando o aplicativo Google Earth.

Como dito anteriormente, a primeira parte do filme é desoladora. Vemos todo o mundo de pobreza ao qual o protagonista pertence e os fortes laços com sua família, principalmente com seu irmão. E quando ele se perde, acompanhamos na pele todas as dificuldades de estar em um local estranho sem aparo algum. A atuação Sunny Pawar (Saroo jovem) é digna de aplausos. Ele mistura inocência e tristeza em seu olhar de criança. O menino está sempre sujo e desleixado, o que contrasta perfeitamente com o seu visual mais clean no futuro.

Vinte e cinco anos após sua adoção, a versão adulta do protagonista é agora interpretada por Dev Patel. O longa faz um bem em contrastar a realidade do Saroo criança e em sua fase adulta, mas a forma que somos levados novamente ao drama principal da história é feito de forma muito abrupta. A estrutura do longa se alterna em inúmeros flashbacks e esse ritmo só volta a normalizar nos últimos 25 minutos, que com certeza emocionam.

Patel tem uma atuação bem abaixo de Pawar, não justificando sua indicação ao Oscar. Sua namorada Lucy (Rooney Mara) tem pouco peso na trama e o único papel coadjuvante de peso é de sua mãe adotiva Sue (Nicole Kidman), que por sinal tem um excelente monólogo que nos faz refletir sobre o que é uma família.

A fotografia fica por conta do experiente Greig Fraser, que utiliza tons mais naturalistas com diversos elementos cênicos, além de captar maravilhosas sequências aéreas, ajudando no contraste da realidade entre Índia e Austrália.

Lion é um filme emocionante, bem dirigido e com boas performances que competentemente faz o público refletir sobre a dor da perda, família e esperança.

nota 8.5

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