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LEGÍTIMO REI – CRÍTICA

Netflix entrega um épico grandioso e digno das telonas.

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Grandes épicos já viveram seus tempos de glória em Hollywood. Temos inúmeros títulos que entraram para a história da cultura pop e ainda hoje reverberam no imaginário de milhões de pessoas. Talvez os grandes estúdios tenham deixado eles um pouco de lado pelo seu altíssimo custo de produção, o que gera um enorme risco de prejuízo. Ou talvez até pela saturação do nicho, que gerou uma série de remakes desnecessários e de qualidade duvidosa. O que é impossível de negar é que quando surge um produto de alta qualidade como: Ben-Hur, Gladiador, 300, Coração Valente (só pra citar alguns), o sucesso e a glória estão garantidos.

É exatamente no mesmo local e período histórico do último filme citado, a oscarizada película de Mel Gibson, que se desenrolam os tensos e trágicos acontecimentos de Legítimo Rei. Essa produção original Netflix conta a história das inúmeras rebeliões e insurgências escocesas em sua luta para se livrar da opressão da coroa inglesa. O já idoso lorde Robert Bruce, vivido aqui pelo experiente James Cosmo (que não por acaso também teve uma marcante atuação em Coração Valente), vem a falecer e seu filho também chamado por Robert Bruce (Chris Pine) se vê em meio ao novo grande conflito gerado pela execução do libertador William Wallace. Conspirações, desconfianças e intrigas dão o tom nesse conturbado período na história da Escócia. O diretor escocês David Mackenzie (Jogando Com o Prazer, A Qualquer Custo), que também ajudou a escrever o roteiro, impõe um ritmo equilibrado em sua narrativa, fazendo com que o filme não se arraste durante os seus pouco mais de 120 minutos de duração. Muito pelo contrário, algum tipo de conflito ou drama sempre está sendo vivenciado, dando aquela sensação e clima de urgência. Mackenzie faz uso de belos e longos planos sequência, sempre em favor da narrativa e não apenas pela estética.

O elenco é só elogios. Chris Pine (Star Trek, Mulher Maravilha) despeja toda a sua qualidade na tela, atuando com a sobriedade e maturidade de um verdadeiro lorde. Outro grande destaque no elenco é a presença de Aaron Taylor-Johnson (Kick-Ass, O Garoto de Liverpool). Ele por muitas vezes rouba a cena com a euforia e tenacidade de seu personagem, o impiedoso James Douglas. Florence Pugh exala delicadeza e determinação, dando vida a rainha da Escócia, Elizabeth Burgh.

Outro ponto alto dessa produção é o realismo gráfico com o qual Mackenzie nos choca. Ele não alivia em nenhum momento o foco de sua câmera. Seja em um enforcamento, ou num esquartejamento, ou até mesmo no sangue que jorra para todos os lados no campo de batalha. Suas lentes precisas estão sempre lá, mostrando tudo sem culpa. E diferente de outras produções originais da Netflix, dessa vez eles não pouparam nada da verba para produção. Tudo está impecável: locações, figurinos, cenas de batalha, fotografia, CGI, som, trilha sonora, músicas, tudo está brilhando na tela. Legítimo Rei, por todas essas qualidades mencionadas, teria feito muito bonito na tela grande. Mas é isso, o streaming está mudando para sempre o mercado cinematográfico. Não há escapatória.

Se você, assim como eu, adora filmes épicos, deve valer a pena a experiência de rever (ou ver) Coração Valente, emendando logo em seguida com Legítimo Rei. Quem sabe não vem por aí uma nova onda?

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