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CARGO – CRÍTICA

Um filme de zumbi que emociona e honra o legado de George Romero.

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Não parece, mas lá se vão mais de 15 anos desde que o subgênero de Terror, aqui no caso os filmes de zumbi, teve o seu revival com o sucesso de Extermínio (Danny Boyle, 2002). Sem falar na produção televisiva estadunidense The Walking Dead, inspirada nos quadrinhos de Robert Kirkman, que desde 2010 está em plena ativa, arregimentando uma verdadeira legião de fãs. De lá pra cá tivemos diversas produções que de maneira bem particular, abordaram o tema por diferentes perspectivas e narrativas. Seja com uma pegada mais de ação como em Madrugada dos Mortos (Zack Snyder, 2004) e Guerra Mundial Z (Marc Foster, 2013), até outras com o viés cômico e paródico, a exemplos de Todo Mundo Quase Morto (Edgar Wright, 2004) e Zumbilândia (Ruben Fleischer, 2009).

Então eis que em 2013, em um dos maiores festivais de curtas do mundo, o Tropfest, que é realizado na Austrália, surgiu Cargo. O curta dirigido por Ben Howling e Yolanda Ramke atingiu em cheio os fãs do gênero. O ‘boom’ foi tanto, que o fez chegar ao serviço de streaming de maior sucesso no momento. Por sua vez, de maneira bastante assertiva e inteligente, a Netflix colocou nas cadeiras da direção da versão em longa-metragem seus idealizadores originais. Nada mais que merecido.

O filme conta a história de Andy, aqui vivido por Martin Freeman, da trilogia O Hobbit e também do universo Marvel. Durante um apocalipse zumbi na Austrália, Andy precisa defender o que carrega de mais valioso: sua filha (uma criança de colo). E aqui, Freeman entrega uma atuação emocionante, sincera e exata. Paralelamente a isso, vemos o drama da menina Thoomie, interpretada pela cativante Simone Landers, uma aborígene que também vive um grande dilema familiar. Ambos trilham essa jornada entre a sobrevivência e os dramas que laços familiares carregam. E é exatamente esse o diferencial na abordagem e narrativa de Cargo que o tira do plano geral puro e simples do gênero e lança sobre o mesmo um olhar sensível e até sentimental.

O roteiro de Yolanda Ramke faz tudo isso com excelência, sem descambar para o pieguismo. Não temos aqui tentativas de sustos gratuitos, trilha sonora pesada, exposição ultra gore ou outros clichês, mas sim um suspense com uma carga dramática bastante interessante e muito bem dirigido. Além disso, Ramke necessariamente trouxe para a história elementos como as tradições e mitos dos povos aborígenes, que embelezaram ainda mais sua narrativa desse drama familiar, tornando-a uma grata surpresa e grande promessa do mercado cinematográfico de modo geral.

Para os fãs do curta original, a produção Netflix trouxe diversas referências, easter eggs e homenagens. Inclusive ao dar o nome de Andy ao personagem central da história, que anteriormente era apenas “Pai”. Já que esse é mesmo o nome do ator que o interpretou. Acredito que George Romero aprovaria com louvor essa produção que honra o legado do mito criado por ele na hoje longínqua década de 60. Vida longa aos mortos-vivos!

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