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BIRD BOX – CRÍTICA

Suspense com Sandra Bullock é mais um acerto da Netflix.

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Uma das maiores apostas da Netflix para sua sequência de longas originais em 2018 é Bird Box. Creio que nenhuma outra produção da gigante do serviço de streaming teve uma divulgação tão massiva. O longa protagonizado pela estrela hollywoodiana Sandra Bullock estava em todos lugares: outdoors, paradas de ônibus, redes sociais; e um dos motivos para isso está justamente na força e presença da vencedora do Oscar de melhor atriz em 2010. Bullock inclusive assina como uma das produtoras do filme que é dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier. E talvez aqui resida o segredo para a qualidade deste drama pós-apocalíptico: a parceria entre Bier e Bullock.

A Netflix já havia neste mesmo ano nos apresentado a uma fraquíssima produção de mesmo gênero, Próxima Parada: Apocalipse. Mas tudo o que não existe em um, felizmente, o outro possui. Personagens cativantes, roteiro coeso (apesar de alguns clichês), uma narrativa atraente, trilha sonora decente, atuações convincentes e uma direção firme e assertiva. Bird Box é inspirado no romance homônimo de Josh Malerman. A história nos apresenta a atividade de uma entidade sobrenatural que ao ser vista provoca um medo tão avassalador em sua vítima fazendo com que a mesma se suicide.

O roteiro escrito por Eric Heisserer segue perfeitamente a cartilha Spilberguiana  para dramas familiares em momentos de alta tensão. Quem não lembra de Guerra dos Mundos?  Ou também quem não irá em certos momentos lembrar de Ensaio Sobre a Cegueira do Meirelles? Salvo alguns pequenos clichês do gênero, como a personagem que tropeça várias vezes em algo durante a fuga, o roteiro mostra que acertadamente bebeu em fontes privilegiadas fazendo com que a narrativa siga firme em seu propósito de gerar tensão através de flashbacks muito bem elaborados e inseridos na trama. Existe também todo um questionamento levantado acerca da maternidade e de sua atual ressignificação, o que vai deixando tudo bem mais intrigante.

É interessante observar também o domínio com que Bier toma as rédeas de sua produção. Isso fica bem nítido quando temos diversos personagens enclausurados numa mesma casa. Não há como não ver ali uma direção bastante sólida sobre o elenco. E no elenco os destaques vão para John Malkovich, que mais uma vez nos brinda com uma atuação dinâmica e ao mesmo tempo surtada, e é claro, também para Sandra Bullock, que parece ficar melhor a medida que os anos passam. Ela encarna com maestria a mulher que vai se descobrindo mãe, ao mesmo tempo em que precisa enfrentar o fim do mundo e salvar sua prole. Certamente a atuação de Bullock está entre as melhores do ano e ela faz isso até vendada!

Se o melhor fica mesmo para o fim, me parece que com Roma e Bird Box a Netflix fecha 2018 com chave de ouro. E que venha 2019!

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