Inicio Gênero Drama BEIRUTE – CRÍTICA

BEIRUTE – CRÍTICA

Longa esquece de se aprofundar em seu tema, mas traz uma grande performance de Jon Hamm.

1517
0
COMPARTILHE

“Beirute é como uma pensão sem senhorio”. Com essa frase somos apresentados a capital do Líbano pelo personagem de Jon Hamm, o diplomata americano Mason Skiles. Com uma longa fala ele tenta explicar a um dos convidados de sua festa, e consequentemente a nós espectadores, a complexa realidade daquela país. Nessa cena inicial já percebemos de cara dois elementos que irão permear de maneira bem particular a narrativa do filme: a verborragia de Skiles, justificando assim seu talento para negociações diplomáticas e as muitas explicações sobre a situação da cidade, sem muita profundidade.

Após um trágico evento terrorista envolvendo sua esposa e colegas da CIA, Skiles abandona sua carreira junto ao governo americano e se entrega ao alcoolismo. Uma década depois, ainda assombrado pelos traumas do passado, Skiles recebe uma proposta para voltar a Beirute e mediar uma situação grave com um refém de grande importância político-militar. E aqui o experiente Jon Hamm, despeja todo o seu talento, mostrando todas as facetas desse personagem amargurado e que mesmo depois de tantos anos afastado do seu cargo não perdeu a “mão”. Durante esse tempo, somos apresentados também a personagem de Rosamund Pike, uma espiã da CIA. O que me agrada bastante na personagem de Pike, é que ela abre mão do clichê da espiã femme fatale, temos uma agente de campo forte e determinada, numa atuação bastante precisa de Pike. Percebe-se claramente o conforto da atriz em sua caracterização e atuação.

O longa original Netflix é dirigido por Brad Anderson, diretor americano que possui uma profícua carreira em projetos cinematográficos e também televisivos. Talvez o maior destaque de sua carreira seja O Operário, estrelado pelo astro Christian Bale. Em Beirute podemos notar alguns elementos semelhantes entre as duas obras, entre eles estão o foco no sofrimento interior de seus personagens principais e o clima de tensão e suspense que cerca toda a trama. Anderson não nos dá descanso em momento algum, prendendo nossa atenção nos desdobramentos dos eventos, como um bom filme de espionagem deve fazer. Talvez o único, porém, seja a falta de profundidade em abordar os elementos que fazem da cidade que da título ao filme ser esse lugar tão peculiar. Não basta apenas falar sobre o terrorismo dos anos 70, a OLP, o Mossad, as milícias das diversas religiões e etnias, é preciso também mostrar. A verborragia por si só sem um elemento que a sustente por vezes deixam as sequências vagas, como se estivesse faltando algo ali. Mas Beirute termina cumprindo bem o seu papel como trama de espionagem de época com boas cenas de ação,  personagens cativantes, montagem e edição ágeis, e ainda nos traz uma leve reflexão sobre terrorismo. Afinal de contas, o “Terror” está a serviço de quem?

Anuncie no Cinemaginando
Anuncie no Cinemaginando
Anuncie no Cinemaginando