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APÓSTOLO – CRÍTICA

O novo filme de Gareth Evans não é para aqueles de coração e estômago fracos.

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Ser eclético e ter uma grande capacidade de nos surpreender são qualidades que esperamos e até buscamos das pessoas que sentam nas tão conhecidas cadeiras de diretor de cinema. Obviamente, temos alguns desses profissionais que são marcados por determinado gênero ou estilo, o que não é ruim. Porém, casos como o de Gareth Evans, são impossíveis de não serem admirados.

Evans conquistou o brilho dos holofotes com sua excelente produção indonésia de ação e artes marciais, The Raid (Operação Invasão). O sucesso foi tão estrondoso que gerou até uma sequência. Dessa vez, a admiração vem por seu mais novo projeto, uma produção britânica e original Netflix, calcada no suspense. Apesar de Evans estar pisando em um terreno novo, isso não parece perceptível, afinal, Apóstolo é um thriller de época, maduro e questionador, com uma pitada de eventos fantásticos.

Ele nos conta a história de Thomas Richardson, que teve sua irmã sequestrada por um sinistro culto religioso. Através de uma carta endereçada a seu pai, onde os sequestradores mostram o desejo de receber o resgate por sua irmã, Richardson toma conhecimento da grave situação e parte afim de salvá-la. Ele é interpretado por Dan Stevens, que continua fazendo muito bem o tipo surtado. O elenco ainda possui outros nomes de destaque como Martin Sheen, que faz o papel do líder da seita, o profeta Malcolm. Lucy Boynton também se destaca como a filha do profeta. Ainda na área dos intérpretes, temos o grande destaque em Mark Lewis Jones, que faz um vilão que impõe respeito e também, é claro, muito medo.

Como havia colocado antes, há muita maturidade em abordar temas sensíveis como a religião, por exemplo. Existem alguns questionamentos e críticas acerca das questões de fé e espiritualidade. Isso tudo num filme de suspense, onde também há bastante violência gráfica, sangue e torturas. Algumas poucas em nome da fé. A maioria são movidas por vingança e cobiça. Algo diferente dos nossos dias? A minha dificuldade está na ligação entre o arco realista e o fantástico. Existe uma quebra muito grande no ritmo e até no estilo do filme durante as transições de um para o outro. Talvez pelo simples fato de o elemento fantástico ter sido forçadamente introduzido. Se Evans tivesse optado em seu roteiro por limar o lado fantasioso, o filme teria saído bem mais redondo e coeso. Sem querer dar maiores detalhes, mas a força que move a narrativa deste filme está exatamente na obscuridade do tema e da maioria dos seus personagens. Quando o sobrenatural ocorre, essa obscuridade é completamente iluminada, daí a quebra que me incomodou. Isso porém não foi o bastante para diminuir a qualidade do projeto.

E preciso acrescentar mais um ponto: definitivamente este não é um filme para os que possuem corações e estômagos fracos. Porque se não nos choca, não seria um filme de Gareth Evans. E já estamos prontos para o próximo!

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