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A CAMINHO DA FÉ – CRÍTICA

Longa da Netflix baseado em fatos propõe uma polêmica releitura da Bíblia.

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Come Sunday

Reza um certo ditado popular brasileiro que sobre religião, política e futebol não se discute, mas é exatamente no primeiro ponto onde A Caminho da Fé, drama baseado em fatos reais e ambientado num passado não tão distante, quer tocar na ferida.

O longa original Netflix é dirigido pelo americano Joshua Marston, bastante experiente em séries como The Good Wife e Law & Order e responsável pelo premiado Maria Cheia de Graça. Talvez por causa de sua carreira de sucesso em séries, o filme tenha ficado com uma pegada season finale, o que de certa forma entrega uma agilidade ao filme. A trama aborda o espinhoso tema a respeito da profunda releitura teológica proposta pelo bispo pentecostal Carlton Pearson no final dos anos 90 nos Estados Unidos. Por isso mesmo, esse produto Netflix está longe de ser algo do tipo Deus Não Está Morto, como os mais desavisados podem supor.

O bispo Pearson é interpretado por Chiwetel Ejiofor, indicado ao Oscar por 12 Anos de Escravidão, e o ator cai como uma luva para viver o líder religioso que conseguiu unir negros e brancos americanos sob o teto da mesma congregação. Isso até o dia em que o mesmo recebe uma revelação divina que afirma: TODOS já estão salvos e a ideia de inferno é basicamente uma alegoria. A partir de então, o inferno alegórico passa a ser vivido quase que literalmente por Pearson, sua família e as poucas ovelhas que restaram do seu rebanho. Isso tudo com direito até a um julgamento sacerdotal bem ao estilo da Inquisição Católica.

O longa conta ainda com o veterano Martin Sheen, o sisudo mentor espiritual do bispo, Jason Segel – se mostrando bastante eficiente fora do seu campo cômico – e ainda uma curta, porém tocante, participação de um inspirado Danny Glover.

Como polêmica nunca é demais, a produção ainda aborda de maneira sucinta e também delicada, o tema da homossexualidade nas igrejas cristãs. O diretor consegue amarrar diversas intrigas do mundo congregacional cristão de maneira que o filme não se torne panfletário. Muito menos cai na armadilha de transformar o seu personagem principal numa figura santificada ou divina. Na história recente do cinema, temos exemplos bem famosos de casos do tipo, não é mesmo?

Se você acompanha o seriado Greenleaf, tem tudo para gostar muito de A Caminho da Fé. E para quem gosta dos cantos ao estilo ‘spirituals’, o filme está recheado deles! Canções do estilo Black e Gospel permeiam o filme de maneira brilhante.

Em tempos onde o conservadorismo e o relativismo religioso estão em franco debate novamente, vale a pena a conferir a abordagem desse Novo Testamento segundo Pearson.

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