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‘TEMPESTADE: PLANETA EM FÚRIA’ – CRÍTICA

Filme de catástrofe com trama de thriller político não intriga nem entretém.

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Filmes de catástrofe costumam gerar grandes bilheterias devido ao espetáculo visual intrínseco ao gênero. Entretanto, nem sempre esse foi o foco. Os dramas humanos pela sobrevivência, as pequenas histórias de pessoas comuns encarando algo inevitável de gigantesca escala envolviam o público de maneira mais pessoal. Com a evolução dos efeitos gráficos e da mentalidade industrial de Hollywood, foi-se priorizando menos história e mais catástrofe.

Grandes obras dos anos 90 como Twister, Impacto Profundo, Armageddon e Independence Day ainda conseguiam equilibrar a narrativa nos dois sentidos. Já o novo milênio veio repleto de filmes pouco relacionáveis e que exigiam uma suspensão de crença quase impossível por parte do público. Em vez de focar em eventos específicos como tornados, ondas gigantes ou asteroides, títulos como O Dia Depois de Amanhã e 2012 resolveram atirar para todos os lados, privilegiando as cenas supostamente empolgantes que cada tipo de catástrofe poderia gerar, resumindo tudo em um caos de nível global.

Tempestade: Planeta em Fúria não é muito diferente. Embora a vertente catastrófica seja justificada por uma premissa pouco crível, mas aceitável no gênero, o resultado é o mesmo caos. Neste caso, pelo menos o roteiro coescrito pelo diretor estreante no cinema Dean Devlin e Paul Guyot, pensa em uma trama de thriller político minimamente interessante.

A história se passa em um futuro próximo, quando após grandes catástrofes climáticas ao redor do globo se darem devido à irresponsabilidade humana para com o meio ambiente, o cientista Jake Lawson (Gerard Butler) cria um programa espacial composto por uma série de satélites capazes de controlar o clima ao redor do planeta, evitando tragédias climáticas causem mais perdas humanas. Devido a um jogo político, Jake é afastado de seu próprio programa, sendo seu irmão Max (Jim Sturgees) convocado para o posto. Anos depois, um misterioso mal funcionamento dos satélites causa catástrofes em alguma regiões da Terra, exigindo o retorno de Jake para descobrir o que há de errado com sua criação.

O tom de thriller político em um ambiente de ficção-científica é interessante enquanto ideia. Porém, a direção de Devlin parece mais interessada na próxima cena de ação do que no potencial narrativo, carecendo de atmosfera e personalidade que promovam empatia pelos personagens e imersão na trama. Apenas quando a conspiração começa a se desenvolver, despertamos algum interesse pelo filme, já sendo tarde demais para qualquer “espetáculo” visual encher os olhos até dos espectadores mais despretensiosos.

A relação entre os irmãos Jake e Max é o único fator humano que carregam o filme. A desavença entre os dois, somada aos seus interesses em comum, gera interações de ambiguidade que são um ponto positivo no roteiro. O mesmo não vale para as outras relações afetivas, como entre Jake e sua filha, e Max e sua noiva. Aliás, esta última, interpretada por Abbie Cornish, só representa a figura da mulher forte no sentido mais clichê, sendo masculinizada e utilizada apenas para resolver situações específicas.

Da mesma forma, a diversidade cultural está presente apenas como quesito que se deve cumprir em Hollywood atualmente. As bandeiras de vários países impressas no grande satélite espacial, denotando que profissionais do mundo todo participaram da construção, soam como uma forma infantil de dizer “nós consideramos o multiculturalismo”. Isto também se reflete nas bandeiras impressas nos uniformes específicos de cada profissional que trabalha no espaço, denotando o país de que veio. Na equipe principal de Jake, temos “a alemã”, “o mexicano”, “o francês”, e assim por diante, constatando mais estereotipismo e separatismo do que uma mensagem de união dos povos.

A mistura de gêneros resulta apenas em uma aglomeração de estilos, não atingindo o potencial em nenhuma vertente. Dessa forma, o espectador que quiser assistir a um thriller político, sairá da sala de projeção decepcionado pela pobreza narrativa, quem estiver interessado pelo viés de ficção-científica, sairá ofendido pela falta de precisão técnica, e mesmo quem quiser apenas desligar o cérebro para se deliciar com grandes efeitos gráficos, ficará entediado pelas cenas breves e pouco criativas do tipo.

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