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BRIGHT – CRÍTICA

Uma boa ideia que se perde em uma má execução.

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A Netflix chegou como um serviço de streaming que imediatamente mudou a forma como consumimos produtos audiovisuais. Quando começou a produzir conteúdos originais, chamou mais ainda a atenção do público para filmes e séries exclusivas, ao mesmo tempo em que criou discussões sobre a validade de suas obras enquanto competidora nas premiações cinematográficas como o Oscar.

A verdade é que, no geral, o serviço tem sido cada vez mais aceito em sua proposta. Entretanto, isso não quer dizer que a qualidade seja sempre mantida em suas obras. Em 2017, tivemos filmes com decência bastante questionável, como Death Note e o mais recente Bright. Este último, bastante esperado pelos fãs devido à participação de Will Smith, um dos astros mais carismáticos e bem sucedidos de Hollywood.

Bright se passa em uma realidade alternativa, onde seres místicos como orcs, elfos e fadas convivem normalmente entre humanos. A proposta é interessante e abre várias possibilidades de enredo, temática, personagens e tons narrativos. Infelizmente, o roteiro de Max Landis não aproveita bem o território em que se assenta, caindo facilmente em uma trama genérica e convencional.

O primeiro ato é decente e divertido, introduzindo o espectador na vida dos personagens em um mundo onde literalmente tudo pode acontecer. Os diálogos cotidianos são efetivos em construir uma química entre a dupla protagonista, os policiais Ward (humano) e Jakoby (orc), interpretados respectivamente por Will Smith e Joel Edgerton.

A discussão social é empregada logo nos primeiros planos do longa, onde percebemos que a convivência entre raças é mais caótica do que respeitosa. Temáticas como racismo e exclusão social são presentes, inevitáveis e relevantes, mas servem mais como pano de fundo do que como algo fundamental na trama.

À medida que o enredo se constrói, conceitos específicos daquela realidade são apresentados,  causando curiosidade no espectador para algo complexo e inventivo. Não é o caso aqui. A trama logo se desenrola para algo simplista como proteger um MacGuffin enquanto pessoas igualmente interessadas neste, mas com más intenções, tentam adquirí-lo.

Na metade do longa, damos de cara com mais um filme sobre tiros e perseguições, algo sobre o qual Will Smith entende muito bem e não parece interessado em algo mais. O terceiro ato é um desastre total, mal planejado e mal escrito, tanto nos eventos quanto nos diálogos. Atitudes estranhas por parte dos personagens, “surpresas” forçadas e efeitos visuais toscos. A impressão que dá é que estamos assistindo a um filme B dos anos 90 que foi direto para VHS.

Os personagens também não causam empatia no público. Ward é apenas o mesmo personagem que Will Smith interpreta em 80% das obras em que participa. Tikka (Lucy Fry) é uma espécie de Leeloo de O Quinto Elemento, mas com bem menos importância e carisma. Jakoby é o único personagem minimamente interessante, que tem um arco apresentado e concluído, com Edgerton sendo responsável por boa parte do humor no longa.

A maquiagem de Lois Burwell é um ponto forte. Parece orgânica e não esconde as expressões dos atores. Convence mesmo com o orçamento visivelmente reduzido, se comparado a outras obras do cinema de gênero semelhante. Entretanto, Burwell não tem muita oportunidade de brilhar, uma vez que a variedade de raças envolvidas na trama central é pouca, resumindo-se a alguns humanos, orcs e elfos, o que pode causar a impressão de pouca diferença física entre personagens da mesma raça.

O diretor David Ayer, que realizou o terrível Esquadrão Suicída, mais uma vez teve em suas mãos uma obra promissora, mas insistiu em encaixá-la nos padrões já conhecidos e antiquados. Bright não apresenta nada de novo além da ideia do que poderia vir a ser.

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